terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Quando um tanto de nós se vai...

Olás...

"O coração tem suas razões,  que a própria razão  desconhece". Há paradoxos nessa frase? Até pode ser que sim,  vinda de quem veio, um homem que deu  muito valor à ciência, era físico e matemático, além de escritor, o francês Baile Pascal.

O  sentimento do amor tem suas  razões,  e faz perdermos a razão, quando deixamos que a emoção  nos domine. O  amor leva para muito longe alguém  que  muito amamos,  porque esse alguém,  também  por amor,  vai em busca  de sua  felicidade. A razão diz que é para  ficar, mas o amor determina que é para ir. E vão!

É nesse momento que devemos escutar as razões do coração: se nosso amor for mesmo  verdadeiro (toda forma de amor, até de pais para com seus filhos e vice-versa), deixemos que esse alguém se vá, embora  a dor da ausência doa tanto, que a razão -  já não desconhecida -  volte insistentemente a lembrar.

A despedida é um misto de alegria, tristeza e saudade até na presença. Mas o tempo, porém,  vai ajustando as noites doídas, o espaço vazio, o silêncio da voz. Você se contenta que o amor fez a diferença, que a felicidade desse alguém é que vale a ausência, em busca do que determinou também meu coração...tempos atrás.

A  distância entre as pessoas que se amam é que não deveria ser tão extensa. Deveria ser assim, como num pensamento, bastando fechar os olhos para se tentar  tocar, falar...e poder dizer quanto se ama aquela pessoa, tão distante.

Isso, dizem, é a lei natural da vida. Criamos relações ao nosso entorno, a  elas nos apegamos e delas nos separaremos.  Para que questionar o mistério do amor, afinal? Só nos resta torcer para que a razão prevaleça, que a felicidade jamais arrefeça, e que sempre estejamos de braços abertos para receber, sempre mais um,  fruto daquele amor.

Mamãe Coruja



A Luta Pelo Direito

Olás...



Apesar da formação em Direito, com aprovação no Exame da OAB, não sou uma  operadora  do Direito, ou seja, não exerço a função de advogada. Porém, paralelamente,    acompanho a legislação voltada para algumas áreas do Direito por  questões profissionais,  e, acima de tudo, porque  não é de  minha  estirpe ficar  estagnada, à espera que me ponham o peixe à boca. Se dissessem algum dia que faltaria alimento, alimentar-me-ia de conhecimentos vastos, e aí, sim, praticaria a “gula”. 

Se nada sei sobre algum assunto, não tenho nenhuma vergonha em dizer que não  detenho aquele conhecimento, mas logo em seguida já estou a “estudar”  o tema, buscando  logo entender o sentido da questão, para encontrar as minhas respostas. Sempre foi assim, e assim fui alargando o leque de conhecimentos (um arrependimento que jamais terei em minha vida!). São também essas lições que tento passar aos filhos.

No cotidiano, encaro como normal alguns colegas querendo saber minha opinião a respeito de determinados assuntos. Pedem esclarecimentos e minha posição a respeito. Até aí é normal. Mas o que não posso, e não devo,  é estimular para que sigam as minhas convicções. São resultados, apenas, de meu entendimento e questionamentos pessoais. Não entro no mérito se as pessoas devem (ou não)  levar uma causa à esfera judicial. Se exercesse a advocacia, seria diferente. Seria  minha obrigação aconselhar o cliente sobre os danos e benefícios  da causa. Mas no âmbito pessoal, não.  Não entro no mérito da decisão do outro.

O que aprendi, desde cedo, e com mais afinco quando estudei Direito- e a gente bem sabe extrair legados positivos quando um curso é realizado com prazer – que o direito nunca deve ser deixado  de lado. Essa convicção ficou mais cristalina, ainda, quando li A Luta Pelo Direito, do jurista alemão Rudolf Von Ihering, tradução de Oswaldo Miqueluzzi, 2009. (Como citei neste blog em Divagações, texto publicado em 09/02/2014, sempre levei em consideração as recomendações de leitura dos professores, e acabava “saboreando”  pensamentos de excelentes autores).

Em A Luta Pelo Direito, o autor já me encanta logo no início do primeiro capítulo, do qual transcrevo: ”Todo aquele que ao ver seu direito torpemente desprezado e pisoteado, não sente em jogo apenas o objeto desse direito, mas também sua própria pessoa, aquele que numa situação dessas não se sente impelido a afirmar a si mesmo e ao seu bom direito, será um caso perdido, e não tenho o menor interesse em convencer um indivíduo desse tipo.” É exatamente como penso!

Não estou, também, invocando a  necessidade da luta pelo direito em todo e qualquer tempo, mas tão somente àqueles casos em que a agressão ao direito representa um desrespeito à pessoa. Falo de não ficarmos passivos diante de uma agressividade ao direito, que  muitos se acostumaram a ter, talvez por covardia, por comodismo, ou até mesmo por indolência. 

Oportuno também citar Kant, quando diz “quem se transforma num verme não pode se queixar de ser pisado aos pés dos outros”. E o que mais se presencia são pessoas transformadas em vermes,  porque se deixaram comprar por um cargo de confiança, por um bem material que  lhes foi dado  de “presente”, até mesmo por um emprego (diferente de trabalho), prometido em campanha eleitoral. Deixam de entrar, também, na luta pelo direito do outro, porque estão amarrados em interesses pessoais. O seu próprio direito em manifestar uma opinião contrária lhe foi tirado, por consentimento. Quanta pobreza de espírito!

Diz Rudolf,  que “o fim do direito é a paz, o meio de que se serve para consegui-lo é a luta.” E a História nos recheia de acontecimentos onde o direito de muitos só foi conseguido  mediante a  luta. 

Mas do qual luta estamos falando? Da bélica? Da imposição dos mais fortes? De quem tem mais? Das anarquias confundidas com lutas justas? Dos interesses pessoais em detrimento do interesse coletivo? Essa  luta não tem valia,ou não deveria ter.

Quando lutamos pelo que julgamos ser um direito, na esfera judicial, ou até mesmo ad judicia extra, nos esbarramos em obstáculos tão difíceis de ultrapassar, que acabamos por desistir daquele direito em meio ao caminho árduo dos processos.

O direito que tanto buscávamos, de início estimulado por uma sede de justiça, vai ficando em pedacinhos, corroído pela tristeza de quem o reivindicou, como também pelas traças, encaixotados  nas prateleiras. Pior, é quando o direito é defendido/julgado pelo “valor” da causa, de grande monta, quando deveria ser pelo dano causado à personalidade e ao caráter de quem foi extirpado esse direito, ainda que o dano material tenha sido... de R$1,99 (um real e noventa e nove centavos). Um amigo sempre me diz: a Justiça é cega, mas o olfato é bem apurado. Pois, pois, como diriam os portugueses.
 
Ao lutar por um direito o indivíduo não precisa ser compelido  à aceitar “gratificações”, “pagamentos” para ir às ruas causar o caos. Não! Quando se luta por um direito, é outro fator que deve impulsionar esse desejo. Bem maior,  grandioso e moralmente ideal. Lutar pelo que é justo, de fato e de direito. Porque a consciência nos cobra uma atitude, como cidadão, inclusive. E quando esse desejo começar a ter um embate com o nosso caráter, não precisaremos dos poderosos nos bastidores  a  “bancarem”   uma ideologia. É a nossa consciência que deve permear essa atitude heroica, apenas ela: a CONSCIÊNCIA.

Portanto, sempre que alguém me pergunta se vale reivindicar um direito, seja ele em qual âmbito for, sempre respondo: “isso é você quem deve avaliar, medir o grau de ofensa que está sofrendo ao ver um direito seu ser ultrajado; também deve analisar se, de fato, é um direito, e não somente um passar por cima de outrem para obter lucros, subjugando, para isso, o direito daquele. É tudo uma questão de foro íntimo”. 

Sei que é utopia falar de direitos, quando há tantas diferenças de classes sociais. Se para um razoável número de indivíduos privilegiados (por conhecimento, cultura, financeiramente), é tão difícil esse “caminho das pedras pontiagudas”  da busca pelo direito, o que poderemos dizer daquele maior número de pessoas que sequer sabe qual é o seu direito!?

Finalizo com algumas citações desse jurista no qual sempre busco inspiração:

O direito, que no terreno puramente material não passa de uma prova trivial, quando alcança a esfera da personalidade transforma-se em poesia, numa verdadeira luta pelo direito a bem da preservação da personalidade. A luta pelo direito é a poesia do caráter”. (grifos do autor).

A força do direito reside no sentimento, tal como a força do amor. E quando falta o sentimento, o conhecimento e  a inteligência não podem substituí-lo. O direito é a condição de vida moral da pessoa. Sua defesa representa um imperativo de auto conservação moral”. (grifos do autor). 

Por fim, saiba que reivindicar um direito pode significar um acordar amargo, porque inimigos lhe serão "apresentados".  Serão  aqueles tais vermes.


Mamãe Coruja

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Festas infantis... você aguenta?

Olás...

Inicio este comentário afirmando:  não sou muito fã de festas infantis, nem mesmo para saborear aqueles docinhos deliciosos. Acho tudo estressante, desde as músicas (muito irritantes e repetitivas)  até aquela  gritaria e  muito choro (geralmente resultado do medo que os pequeninos sentem do palhaço, ou o/a amiguinho/a (?)  que quebrou o brinquedinho. Tenho dó dos pais! Devem ir para a cama estafados e se prometendo que no ano seguinte irão festejar  o aniversário dessa  moçada  de outra maneira.

Mas esta história agora parece ter melhorado. Novos cenários, personagens e músicas para alegrar a criançada é o que oferece o mais novo grupo infantil "A Turminha da Floresta". Uma animada história contando sobre a Floresta Amazônica, em 4 personagens. Estes, se vestem de bonecos, cantam e dançam música do próprio repertório, além de cantigas de roda e toadas de Boi Bumbá. Ou seja, durante a festinha as crianças brincam e aprendem sobre a cultura do lugar.

Não bastassem essas proezas,  a "A Turminha da Floresta" também  tem shows para animar baile infantil carnavalesco, apresentando marchinhas e músicas com arranjos de carnaval, apropriadas para esse animado e incansável público. Feliz de quem aniversaria nessa época, porque já vai experimentar novas  fantasias.

O bom disso é que já não se ouvirá mais as mesmices das festas  infantis (nada contra as músicas da Xuxa, mas convenhamos: não dá mais!). Em outras oportunidades, presenciei o  trabalho da dupla que gerencia a "A Turminha da Floresta", em eventos internos em uma empresa. De fato, de extremo bom gosto e muita competência nos cenários  e brincadeiras. E sou da seguinte opinião: o que é bom é para ser divulgado.

Recomendo a "A Turminha da Floresta"! Quem sabe agora não mudarei meus conceitos a respeito de festas infantis?! 

Telefones de  contato: (92) 4141-1682, 8149-3883 ou 8826-0939. Caso você queira saber mais sobre o trabalho da "ATurminha da Floresta", acesse os links:


www.aturminhadafloresta.wix.com/aturminhadafloresta
www.facebook.com/aturminhadafloresta


Chama a Mamãe!
A Turminha da Floresta



Mamãe Coruja

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Amazonas:Nós também temos (excelentes) cantores/compositores!

Olás...



O Estado do Amazonas tem um valioso  acervo de  cantores   e  compositores, mas somente  poucos – quase  raros -  saem    do cenário artístico  local, mesmo com talento  indiscutível.

Uma dessas  exceções foi o Grupo Carrapicho, tendo à frente o cantor Zezinho Corrêa. Inicialmente,  as  músicas focavam o estilo forró, em 1980, quando o  Grupo iniciava as apresentações,  ficando conhecido em toda a Região Norte.

Somente a partir da década de 90 é que o Grupo, descoberto por um produtor francês, passou a  ter sucesso  internacional. E que sucesso! De  Norte a Sul  do Brasil só se ouvia o som da  toada “Tic, Tic, Tac”.  A  versão lançada na França tornou-se um dos maiores  sucessos na Europa. Penso mesmo que  foi  a partir dessa “descoberta” que  o evento  folclórico de Parintins passou a ser programa  obrigatório de muitos  turistas (do Brasil e do exterior),  na  grande festa realizada no mês de junho,  dos Bois Bumbás  Garantido e  Caprichoso, na ilha de Parintins.

Em 2013, quando o Grupo completou 30 anos, foi realizado um show,  no qual foram apresentadas, cronologicamente, as  músicas que fizeram sucesso, e uma breve explanação sobre cada uma.  Tive imenso prazer em assistir Zezinho, no Teatro Amazonas. Um palco mais do que justo para receber  tamanha notoriedade. O especial momento foi a apresentação de "Tic, Tic, Tac".

Àquela oportunidade, Zezinho contou toda essa trajetória do Grupo e trouxe ao palco, humildemente como sempre, todos os artistas que integravam o Grupo (dançarinos(as) e toda a banda).  Foi um  programa e tanto, desses  que você  não  quer que acabe. 

Outra que merece grande destaque é Eliana Printes. Também tive a honra em estar presente a uma de suas apresentações “Tributo a Renato Russo”, no Teatro Amazonas.  Para mim, o ponto principal foi quando  cantou “Pais e Filhos” (ainda hoje me arrepio só de lembrar da emoção).   De um talento indiscutível, todo mundo que gosta de boa música deveria ouvir “Os Presentes”, “Sabor das Marés”, “Se chovesse você”, “Por onde você for”, e tantas outras preciosidades. Gosto tanto de Eliana Printes,  que certa vez enviei um CD dessa  grande artista para um amigo, em Portugal,  também ter o  privilégio em ouvi-la.

Cileno é outro talento amazonense.  São dele “Www.(I Love you)” e  “O amor está no ar”, mas  as boas músicas não se esgotam aqui.

Márcia Siqueira dispensa comentários. Tem a característica mais peculiar da Região: voz doce e suave, morenice natural, cabelos lisos como das índias amazonas. Só podia ser dela “Cunhantã”, “Amazonas Moreno”  e outras.

Não poderia deixar de citar ícones do cenário musical amazonense, como Nunes Filho, Abílio Farias, Arlindo Júnior, David Assayag, Chico da Silva (são tantos, e dos bons!). Peço perdão aos que não foram citados, porque preferi que minha memória escrevesse esse texto, a ter  que ir ao Google buscar. Mas meu respeito por todos.

Neste domingo, passeando de carro, ouvi o CD Divina Comédia Cabocla, de Nicolas Jr. , e confesso:  ainda não  ouvira nenhuma de suas composições. Nicolas Jr. não é amazonense, e sim paraense, mas nas letras já se pode notar o amor que tem por Manaus. São recheadas de críticas, com as  quais concordo em sua maioria, especialmente ao que fizeram de nossa cultura.  “Terra Brasil”, “A Viagem” (engraçada, mas verdadeira,  a comparação que faz entre Amazônia e Sudeste) , “Hipocrisia”, “Parabólicas”, “Manaus”, “Nas entrelinhas”, “Rogai por nós”...   tem mais?  Tomara que sim.

Bom, queria que nossas autoridades pudessem investir mais em  outros  talentos  por aí afora escondidos, às margens desses imensos rios Amazonas e Negro, porque  quase  em igarapés  eles  não estariam mais - os talentos. E nem preciso explicar o porquê disso.

Ah! Uma observação:  queridos  cantores/compositores!  Não enveredem pelo  mundo da política. Continuem a cantar  e compor belas  canções... e nos deixem sonhar com as coisas boas da vida.

Mamãe Coruja

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ambiente de Trabalho X Ambiente Familiar



 Olás...

Este comentário nada tem de fundamento científico. É baseado  na técnica da observação, experiências pessoais e de terceiros, mas uma preocupação que somente depois de muitos anos nos leva a meditar: até onde vai a nossa exagerada preocupação pelo trabalho, em detrimento da família? Quando é necessário fazer um "stop" entre esses liames? Qual é o limite de cada um? Até onde devemos permitir que assuntos de trabalho interfiram no ambiente familiar, e vice-versa?
O ambiente de trabalho não é muito diferente do ambiente familiar, se  atentarmos para alguns detalhes. Porém, como veremos adiante, a família jamais deveria ser comparada a uma empresa.


Uma empresa geralmente funciona de acordo com o seu organograma, no qual está definido o grau de “poder/autoridade/liderança/gerência/supervisão/supervisionado/empregado” de cada indivíduo que compõe essa organização. Empresas têm  metas  definidas e geralmente as atribuições e  responsabilidades de cada indivíduo estão regradas em um estatuto e/ou plano de carreiras. Mas todos os indivíduos que as integram estão unidos (?) por um só objetivo: cumprir metas, alcançar resultados satisfatórios, lucros, enfim. 


A família também é constituída por pessoas, cada uma em sua “hierarquia”, unindo (?) pais, filhos e avós.  Portanto, podemos arriscar dizer que a hierarquia começa dentro da própria família, seguindo a ordem tradicional: filhos, pais, irmãos, avós, primos, tios, sobrinhos. Muito provavelmente, nessa hierarquia dos afetos, pela questão da maternidade, a figura da mãe poderá  se sobrepor a do pai. 


A “família” do ambiente de trabalho também acaba por criar laços afetivos, que vão se firmando até ao ponto do indivíduo levar para dentro do seu ambiente familiar o que ele passa a considerar, também, nos colegas de trabalho como “irmãos”, “pais”, “avós” ou “tios”.

Talvez seja a partir daí que as confusões comecem, ou seja, quando o indivíduo quer fazer do seu ambiente de trabalho a extensão de sua casa - ou, pelo menos, faz essa confusão sem muito "perceber" o que vai acontecendo ao longo do tempo. Age como se não devesse satisfações ao seu superior, ou deixando uma atividade para ser realizada depois (esse cenário geralmente é bem patente em empresas que não são do ramo privado, que não visam lucro).  Se, por acaso, antipatiza  alguém... já começa a criar problemas para não pertencer àquele mesmo grupo de trabalho, não sabendo separar essas diferenças. Geralmente, quer espaços exclusivos, como uma sala, toilette (dependendo do grau de hierarquia a exigência ainda é maior).


O inverso também ocorre: o indivíduo acaba por fazer de sua casa, do ambiente familiar, a extensão da vida profissional. O tempo que deveria dedicar à família acaba sendo ocupado por tarefas trazidas da empresa para serem concluídas em casa. A família (esposa, esposo, filhos) é “sacrificada” em prol de uma má administração do tempo, ou até mesmo pela exploração do indivíduo no ambiente de trabalho, sendo  sobrecarregado, e, para não dar a impressão de incompetente ou incapaz, estende a jornada de trabalho ao ambiente familiar.


Outro fator comprovando essa "confusão"  de ambientes- e tem sido mais comum do que se imagina - são as pessoas enfeitando o “seu”  ambiente de trabalho com vasos, flores (artificiais ou não), fotos diversas da família e de amigos, bibelôs, livros, mobiliário caseiro. Um verdadeiro artefato ocupando espaços desnecessários, além de deixar uma impressão de “casa”, e não de empresa. Uma imagem em nada agradável aos clientes externos! Mas sou adepta de qualquer ação que transforme o ambiente de trabalho em um espaço aconchegante (em nada comparado a um quarto, sala ou cozinha do ambiente familiar, isso não!).


Outro fator em constante confusão entre ambiente familiar e ambiente de trabalho são as liberdades exageradas. Geralmente,  acabam comprometendo essa linha tênue que existe entre LIBERDADE x DIREITO. Por se acharem membros da mesma “família” (quando deveria ser ambiente de trabalho), vão atropelando algumas regras básicas da boa convivência, como: manter o respeito,  ser ético... e, acima de tudo, controlar a emoção.


Nos tribunais é crescente o número de ações por danos morais envolvendo o que seria uma “brincadeirinha” entre amigos, ocorrida no ambiente de trabalho. 


Na família, por outro lado, nem sempre o laço afetivo fala mais alto. Nem preciso enumerar as várias ações entre membros da mesma família litigando por uma posse de um imóvel, herança, e tantos outros exemplos. 


O que pretendo demonstrar, com este texto, é que um segmento é diferente do outro. Empresa e Família são instituições diferentes, embora consigamos visualizar as semelhanças entre ambas: uma hierarquia necessária, alguém assumindo a condição de “líder”, outros sendo submissos às “ordens”, “regras”  ou até mesmo "acordos". Mas, talvez, as semelhanças parem por aí (ou pelo menos deveriam parar por aí).


As diferenças são bem mais evidentes: em muitas famílias não há divisão de tarefas, o que leva sempre alguém a ficar sobrecarregado. Quando a família tem um alto padrão financeiro essa(s) tarefa(s) é(são) atribuída(s) a terceiros (doméstica, jardineiro, motorista, babá etc). Na família, em determinado estágio, não só os pais, mas também os filhos,  começam a arcar com o  sustento da casa, ou apenas com o seu próprio sustento, o que de certa forma desafoga essa responsabilidade dos pais.


Os  dois ambientes – do trabalho e familiar – jamais deveriam se confundir, especialmente nas suas jornadas de trabalho. Em ambos, é primordial que saibamos administrar bem o tempo, de modo que todas as tarefas do dia sejam concluídas no horário determinado para o expediente, se numa empresa. E que o lar não seja transformado na extensão da empresa (geralmente o indivíduo se isola do grupo familiar, para poder concluir “em paz” a tarefa que não deu tempo para ser concluída na jornada normal de trabalho), passando os finais de semana também envolvido em assuntos externos à família.


É certo, também, que outros fatores influenciam o comportamento do indivíduo em ambos os ambientes. Vão além do ambiente corporativo, como também vão além do ambiente familiar. Normal. Até porque, di per si, o ser humano é visto como influenciador e influenciado pelos meios aos quais está inserido.


Empresas entram em falência. Famílias também se desestruturam. Por que será?

Um patrão não pode ser tão condescendente com o empregado a ponto de tolerar até as suas faltas mais graves, assim como pais não deveriam atender a todos os "desejos" materiais que estes lhes “exigem”, sem impor limites. As consequências pela falta de liderança, pelo mau exemplo, em qualquer desses dois segmentos, acaba por disseminar a falta de respeito, o descrédito, a desordem e  falência de ambas instituições, porque o mau exemplo de poucos acaba por contaminar muitos.


Qual é o motivo, afinal, da interrogação utilizada no texto, logo após “unidos” e “unindo”? Propositalmente, para gerar uma discussão a respeito de união. Diariamente, a mídia tem mostrado que o ambiente familiar tem sido invadido por  muitos males (vícios, ganância, violência, p.ex). Em muitos casos – infelizmente já não tão raros -, a estrutura é abalada e essa união fatalmente se quebra, de uma maneira ou de outra, porque era vulnerável.


No ambiente de trabalho, a desunião entre indivíduos é de todo nível e padrão social. Embora todos estejam “obrigados”, contratualmente, a alcançarem objetivos comuns, os conflitos de papéis acabam por separar a organização em muitos outros grupos, distintos daqueles do organograma. O sentido de equipe,  de cooperação e  de dinamismo acaba se corroendo, enfraquecendo. O espírito do "vestir a camisa"  arrefece gradativamente. Uma grande parte também se acha vulnerável.

Se no ambiente de trabalho não existirem líderes,  não irão perceber essas "doenças"  em tempo, e em pouco tempo um grande número estará contaminado pela apatia e pelo desestímulo. Se somente existirem gerentes despreparados, todos que compõem a organização fatalmente desacreditarão em qualquer tentativa de "remendo".


Da mesma forma, se no ambiente familiar não existir um "olhar" no entorno- não confundir com vigilância autoritária - , se não existir um tempo para se dedicarem aos filhos, à esposa, ao marido, à mãe, ao pai....cada um viverá aquilo que lhe for mais conveniente, até mesmo poderá absorver as lições  dos caminhos errados que sabemos existirem na vasta  trilha da Vida. 

Trabalho e Família  podem andar equilibrados,  sempre. Faça sua parte ser digna nesses segmentos,  tão  importantes para a sobrevivência do Homem.

Mamãe Coruja