quinta-feira, 6 de março de 2014

No que transformaram o Dia Internacional da Mulher?!

Olás...



No que  transformaram o Dia Internacional da Mulher?!

“Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”. Assim Leon Trotsky registrou o evento do que seria o início da Revolução Russa de1917.

A  greve das operárias da indústria têxtil foi, também,  um ato contra a fome e contra a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial.

Se fizermos uma retrospectiva da História, veremos que de de lá para cá, esse Dia  serviu para ser pano de fundo a   interesses  políticos e comerciais, inclusive, desviando o sentido real adotado pela Organização das Nações Unidas –ONU, em 1977, para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das  mulheres.

Evidente que houve  muitas mudanças nas condições de trabalho das mulheres. A nossa Consolidação das Leis do Trabalho- CLT, de 1943,  impõe ao empregador centenas de deveres em relação  aos direitos da mão de obra feminina. 

Muitas mulheres alcançaram cargos/funções/papéis  importantes no contexto mundial. Poderia citar inúmeras delas, mas limito-me a estas: Indira Ghandi, primeira  mulher a ocupar o cargo de chefe do governo indiano; Margareth Thatcher, liderou o governo do Reino Unido; Evita Peron, atriz e líder política na Argentina; Marisa Isabel dos Santos Matias, socióloga portuguesa e deputada europeia do Bloco de Esquerda. Excepcionalmente, Madre Teresa de Calcutá!

Do Brasil, poderia citar várias  mulheres como exemplo de fibra, de força. Não cito a Vossa Excelência Dilma Rousseff como exemplo, porque me decepcionou como Presidente do Brasil. Sua luta na época da Ditadura vale sua história. No entanto, ao chegar no poder que ela e muitos lutaram contra, acabou por fazer o mesmo (ou pior). Nem cabe  comentários.

Tantas foram as lutas de muitas corajosas mulheres para alcançarem seus direitos – até o direito ao voto! Infelizmente, vejo essas lutas terem sido um tanto inúteis, quando o cenário nos apresenta mulheres desnudas – para não dizer nuas – como se fosse uma vitrine  para vender algum  objeto. Parece que a  única "luta"  que entendem é a de mostrar o corpo. É apenas esse o "conteúdo"(?) da propagaanda.

Na política, é até grande o  número de mulheres que se valem (?)  dos seus atributos físicos- entenda seio e bunda -  para se candidatarem a cargos  políticos(?). Cicciolina é somente um dos exemplos.

Em todos os dias da minha (longa) vida – e não somente no Dia Internacional da Mulher – dou como exemplo minha mãe,  mulher de um homem só, viúva, zeladora de um hospital, soube criar e educar honestamente 5 filhos, sempre aumentando a (pouca) renda vendendo tacacá, broa e costurando ternos. Um exemplo de mulher!

Que me perdoem as tais “mulheres frutas”, mas minha  mãe nunca precisou de um título desse e não “apodreceu”.  Essas, de tanto efêmeras, terão que ser comidas logo, porque senão... irão apodrecer rápido.

À maior  mulher  que conheci em minha vida dedico o Dia Internacional da Mulher e todos os dias que virão:  minha mãe  L A U R A!


Mamãe Coruja


quarta-feira, 5 de março de 2014

A Menina Que Roubava Livros (The Book Thief)

Olás...



The Book Thief (A Menina Que Roubava Livros/A Rapariga Que  Roubava Livros, tradução no  Brasil e em Portugal, respectivamente).


Ontem, aproveitei um tempo do  tal  “feriadão  do  carnaval”  e fui assistir ao filme A Menina que Roubava Livros.


Antes, deixo  registrado  o  espaço maravilhoso  e  privilegiado das Salas VIP (Very Important Person) proporcionado pelo  novo  Shopping Ponta Negra  àqueles que adoram ir ao cinema.  Cinépolis é o que se  chama de Cinema de Primeira Classe. À primeira vista o preço  até  pode parecer salgado,   mas vale a pena. Há  muito desistira de sair de casa para esse  fim,  e assistia aos  filmes  favoritos em minha casa mesmo,  no conforto do meu sofá.  Reconheço que essa prática ainda a terei,  mas sempre que um excelente enredo me interessar... irei  ao Cinépolis, porque encontrei  um conforto bem acima da  minha  exigência.

Voltemos ao The Book Thief.  Interessante o início do filme. Vou tentando entender quem é o narrador (a  voz é masculina) e ficando  intrigada, quando ele diz que logo  iremos “conhecê-lo”.  Mas minhas suspeitas  estavam corretas. Afinal,  a Morte é a narradora e  isso  fica claro quase ao final do filme. Como não lera o Livro, não quis ir ao Google antes de assistir ao filme.  Preferi a surpresa de cada cena.

O filme retrata um período da Segunda Guerra Mundial,  sem as cenas a que estamos acostumados em filmes com esse tipo de enredo. 

Sou suspeita para falar, porque sou chorona de nascença. Chorei desde o nascimento (mas não  por estar  entrando em um mundo de dementes, como disse Shakespeare). Chorona quando a situação  merece, tanto quanto firme quando a circunstância exigir. Não chorei assistindo a algumas cenas do filme,  mas confesso que fiquei quase  a esse ponto. Não  pelas cenas em si (que já nos deixariam de lenço encharcado às mãos), mas sempre tento  me remeter à realidade de quem conviveu com esse período terrível  de   nossa História: as Guerras! Se  não bastassem as Guerras, o  Homem ainda continua à caça das pessoas  de pele diferente, de opiniões  diferentes  daquelas  do “sistema”, de opção sexual diferente etc, etc, etc.  Uma eterna prática da horrorosa Inquisição. E choro, porque isso nem é tão remoto. Sabemos, infelizmente,   que essas barbáries  ainda  acontecem  mundo   afora.

Quem gosta de leitura deve ter entristecido, embora na ficção (?), com a cena na qual livros são queimados, em praça,  pelo regime alemão. Um livro -  creio que muitos já falaram  isso  - é tesouro, que merece ser compartilhado, jamais queimado ou destroçado.

A menina roubava livros para aprender  a  ler. A menina  roubava  livros  para acalentar a dor do  próximo.  A menina roubava livros para ler e assim aliviar as muitas perdas de sua  vida.

Infelizmente, temos visto, tão próximo a nós, livros escolares  sendo jogados - às toneladas – nos terrenos  baldios (um esconderijo perfeito para encobrir provas de crimes  praticados contra  a  Educação). Vinganças partidárias, chiliques de pessoas  em cargos comissionados, coisas do “sistema”, enfim.  

Sem nenhuma apologia ao crime, mas quiçá essa prática de roubar  livros virasse moda,  quem sabe a  criançada que está nas ruas a pedir esmolas, ou mesmo aquelas que estão  com armas à mão – e  não  livros -  tivesse a chance, de ainda assim, aprender a ler.

Agora, não confundam com “danificar” livros nas bibliotecas, retirando páginas, riscando ou furtando, enfim. Isso, sim, é crime! Isso  não  é atitude de quem  gosta  de ler.  Não é  atitude de quem quer  aprender. Ao  contrário,  é má conduta de quem quer  se  dar bem...  o tal idiota “jeitinho brasileiro”.

Mamãe Coruja
 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O nascimento de uma lei é mais demorado do que o andar de uma lesma visto em câmara lenta.

Olás...



Inicialmente, cabe destaque o texto inicial da Carta Magna do Brasil, de 1988, a seguir transcrito:

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL”. (grifos meus).

Ainda, vale mencionar o art. 61, da Constituição do Brasil: “A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição (grifos meus).

No § 2º do artigo acima, assim está escrito:  A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles”.

Até poderia descrever, aqui, o passo a passo do processo de formulação de uma lei nacional, previsto na CF/1988 (discussão, votação, aprovação, sanção, promulgação, publicação e vigência da lei), mas eu faltaria em descrever os “detalhes”, ou seja, o vai e volta às comissões, as intermináveis discussões das emendas, a falta de quórum para votar, além de outros “gargalos”.  Os Caminhos de Santiago de Compostela e a escalada ao Monte Everest nem são tão íngremes – tampouco extensos - se comparados ao longo e complexo caminho que uma ideia ou um projeto de lei percorre até se tornar em lei.  Decerto esse  caminho extenso só seja comparado ao tempo de, aproximadamente, dois milênios  para a construção da Muralha da China! Mas lá, pelo menos, virou ponto turístico. Enquanto que por cá... mais parece um cenário de circo, onde os palhaços somos nós (?).

Alegam aqueles com mais proximidade a esse processo, que é necessário esse “tempo”, para que as normas que regulam o aparelho do Estado atendam ao consenso da sociedade, e não aos interesses particulares de grupos organizados e corporativos.

Enquanto essa tal reflexão não chega, não temos assegurado o tal exercício dos direitos constitucionais  mencionados, e ficamos a todo instante estarrecidos (ainda ficamos!) com as barbáries cometidas contra cidadãos (os que formam o consenso da sociedade). Não se sabe mais de onde vem o mal, porque ele surge de todos os lados, até mesmo das instituições para as quais pagamos uma boa parte de nossas rendas, como impostos.

Todos os dias a sociedade fica inerte, submissa, incapaz diante de tanta violência, corrupção, falta de uma boa educação, de infraestrutura para pessoas com necessidades especiais se locomoverem, e muitas delas para poderem trabalhar. Um caos geral!

Há décadas vejo pais chorando as mortes de seus filhos, assassinados quando apenas se divertiam, ou saíram para acampar, ou apenas estavam indo ou vindo do trabalho, ou simplesmente estavam em casa, porque nem dentro da nossa mais preciosa privacidade temos paz. E há décadas vejo as manifestações dessas famílias indo às ruas, às praças, às instituições estatais, implorando, pedindo e coletando assinaturas, para que a Lei Penal, entre outras, mude. O crime parece  estar anos luz à frente. Percebe a brecha das nossas leis e vão entrando onde bem lhes convém, e ainda debocham de nossas dores. 

Mas ainda pensam muitos, que a forma de mudança é a depredação, o vandalismo, a guerra sem causa – bancada pelos interesses de quem só fica nos bastidores. Não sabe a maioria, infelizmente, que para esse tipo de “luta” a arma é o voto. Eleitores ainda se deixam “comprar”. Mas são culpados? Talvez não, se considerarmos o estado alienado no qual  vive grande parcela desse eleitorado. E qual o interesse do Estado em melhorar esse cenário? Algum? Nenhum?

A resposta você mesmo(a) sabe. 

Mamãe Coruja

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Os bebês e o cenário de demência mencionado por Shakespeare



 Olás...


É comum citarmos frases de pessoas, como de filósofos, romancistas, escritores em geral, cientistas, ou de grandes personagens da História. Essas frases acabam se firmando e sendo citadas, de geração em geração, como absolutas.

De William Shakespeare, por exemplo, são muitas as frases comumente transcritas em discursos, trabalhos acadêmicos, peças de teatro e em tantos outros meios. Particularmente, ouso discordar de algumas.  

As frases ditas levaram em conta, no meu entendimento empírico, o estado de espírito, o grau de discernimento, o humor e o meio ambiente no qual o indivíduo – autor das frases – estava sujeito àquele momento. É o mesmo que uma pessoa bilionária dizer, por exemplo: "Levo a vida que pedi a Deus”. Já uma pessoa desprovida de qualquer situação financeira irá dizer: “Seja o que Deus quiser”. 

Na frase “choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes”, considerando o conceito de demência como sendo a perda ou redução progressiva das capacidades cognitivas (ato ou processo da aquisição do conhecimento), Shekaspeare está a afirmar que temos todos um tanto (ou tudo) de demência. As pessoas, em sua maioria, ao contrário do que disse o poeta e dramaturgo inglês, são capazes, sim, de uma vivência sadia. O choro, até cogito pensar na hipótese, pode ser causado por esse “impacto” entre o “mundo” no qual ficamos por 9 meses (ou menos, nos partos prematuros) e o Mundo para o qual viemos, totalmente distintos, em todas as suas concepções.  

Mas o choro dos bebês não quer transmitir algo mais forte, como dor? E por que não admitirmos, que alguns métodos adotados para o nascimento não é uma provação dolorosa? Por que não refletirmos sobre o fato de que os sentidos do recém-nascido são violados de todas as formas, daí a dor, daí o choro? 

Dias desses assisti a uma matéria, na TV,  sobre partos feitos na água. Surpreendente a expressão de bebês sorridentes, o que tem  reforçado a impressão de que o nascimento pode ser prazeroso e que não é regra que o bebê, com o nascimento, adentre neste “imenso cenário de dementes”.

Mamãe Coruja