Olás...
Mamãe Coruja
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Entrando na Vara...
Olás...
Contando... ninguém acredita, por isso melhor provar.
Confira a petição de uma advogada que não gosta de "entrar na vara". E nem preciso dizer mais nada...
Bem, como advogada, reconheço que preciso andar em "Varas". De algumas até gosto; outras, nem tanto. Mas, se para sobrevivermos precisamos das "Varas", por que devo distanciar-me delas?
Mamãe Coruja
sexta-feira, 25 de julho de 2014
E lá se foi Ariano Suassuna!
Olás...
Mais uma perda para os que ficam. Mais um tesouro para aqueles que o recebem. Dia 23 próximo passado foi a vez de Ariano Suassuna fazer a tal "viagem". E lá se foi mais um (dos bons) escritores brasileiros, autor do livro AUTO DA COMPADECIDA, que o consagrou definitivamente em todo o País, e que depois virou filme.
A peça de teatro, transformada em série e depois em filme, foi um grande sucesso. Assisti ao filme umas "trocentas" vezes, e sempre achei o máximo terem criado, enfim, um Jesus negro. Matheus Nachtergaele (João Grilo) e Selton Mello (Chicó) estavam divinos interpretando personagens "diferentes" dos triviais até então vistos.
O "diálogo" entre a Compadecida (Nossa Senhora), advogada que se contrapõe ao Encourado (o "coisa feia", como me refiro) ante o juiz Manoel (Jesus Cristo) no julgamento final de João Grilo, é por demais hilário.
A criatividade de Ariano Suassuna levou-o a criar uma Nossa Senhora defensora pública ardorosa e que, com muito fundamento, defendeu João Grilo na encenação do julgamento final. Até Jesus Cristo chegara à conclusão de que não havia defesa para João Grilo, um estelionatário, um mentiroso, um calhorda, alegre e calhorda e delicioso calhorda, mas calhorda. Quando o promotor, feliz da vida, já pensava em arrastar mais uma alma para o Inferno, Nossa Senhora argumenta: "Meu filho, astúcia, a mentira, é a única arma do pobre. Absolva este homem".
Tudo bem! São valores negativos incorporados à nossa vida diária e não valem como exemplos. Mas, como ficção, o filme me rendeu boas gargalhadas em todas as vezes que o assisti.
Para quem ainda não leu o livro, tampouco assistiu ao filme, aqui vai uma provinha do que é bom(aliás, excelente!):
"JOÃO GRILO - Ah isso é comigo. Vou fazer um chamado especial, em verso. Garanto
que ela vem, querem ver? (Recitando).
Valha-me Nossa Senhora,
Mãe de Deus de Nazaré!
A vaca mansa dá leite,
A braba dá quando quer.
A mansa dá sossegada,
A braba levanta o pé.
Já fui barco, fui navio,
Mas hoje sou escaler.
Já fui menino, fui homem,
Só me falta ser mulher.
ENCOURADO - Vá vendo a falta de respeito, viu?
JOÃO GRILO - Falta de respeito nada, rapaz! Isso é o versinho de Canário Pardo que minha mãe cantava para eu dormir. Isso tem nada de falta de respeito!
Já fui barco, fui navio,
Mas hoje sou escaler.
Já fui menino, fui homem,
Só me falta ser mulher.
Valha-me Nossa Senhora,
Mãe de Deus de Nazaré.
(Cena igual à da aparição de Nosso Senhor, e Nossa Senhora, a
Compadecida, entra).
ENCOURADO [com raiva surda] - Lá vem a compadecida! Mulher em tudo
se mete!
JOÃO GRILO - Falta de respeito foi isso agora, viu? A senhora se zangou com o verso que eu recitei?
A COMPADECIDA - Não, João, por que eu iria me zangar? Aquele é o versinho que Canário Pardo escreveu para mim e que eu agradeço. Não deixa de ser uma oração, uma invocação. Tem umas graças, mas isso até a torna alegre e foi coisa de que eu sempre gostei. Quem gosta de tristeza é o diabo.
JOÃO GRILO - É porque esse camarada aí, tudo o que se diz ele enrasca a gente, dizendo que é falta de respeito.
A COMPADECIDA - É máscara dele, João. Como todo fariseu, o diabo é muito apegado às formas exteriores. É um fariseu consumado.
ENCOURADO - Protesto.
MANUEL - Eu já sei que você protesta, mas não tenho o que fazer, meu velho. Discordar de minha mãe é que não vou.
ENCOURADO - Grande coisa esse chamego que ela faz para salvar todo mundo! Termina desmoralizando tudo.
SEVERINO - Você só fala assim porque nunca teve mãe.
JOÃO GRILO - É mesmo, um sujeito ruim desse, só sendo filho de chocadeira!
A COMPADECIDA - E para que foi que você me chamou, João?
JOÃO GRILO - É que esse filho de chocadeira quer levar a gente para o inferno. Eu só podia me pegar com a senhora mesmo.
ENCOURADO - As acusações são graves. Seu filho mesmo disse que há tempo não via tanta coisa ruim junta!.
A COMPADECIDA - Ouvi as acusações.
ENCOURADO - E então?
JOÃO GRILO - E então? Você ainda pergunta? Maria vai-nos defender. Padre João, puxe aí uma Ave-Maria!
PADRE (ajoelhando-se - Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus.
JOÃO GRILO - Um momento, um momento. Antes de respondermos, lembrem-se de dizer, em vez de “agora e na hora de nossa morte”, “agora na hora de nossa morte”, porque do jeito que nós estamos, está tudo misturado.
TODOS - Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora na hora de nossa morte. Amém.
A COMPADECIDA - Não precisava fazer a modificação, João. Eu entenderia.
JOÃO GRILO - É, a senhora eu acredito que entendesse, mas aquele sujeito ali, com muito menos do que isso, faz uma confusão.
A COMPADECIDA - Está bem, vou ver o que posso fazer.
JOÃO GRILO (ao Encourado) - Está vendo? Isso aí é gente e gente boa, não é filha de chocadeira não! Gente como eu, pobre, filha de Joaquim e de Ana, casada com um carpinteiro, tudo gente boa.
MANUEL - E eu, João? Estou esquecido nesse meio?
JOÃO GRILO - Não é o que eu digo, Senhor? A distância entre nós e o Senhor
é muito grande. Não é por nada não, mas sua mãe é gente como eu, só que gente
muito boa, enquanto que eu não valho nada [Ocorrendo-lhe a brincadeira]. Mas com
toda desgraça, acho que sou menos ruim do que o sacristão.
A COMPADECIDA - Intercedo por esses pobres que não têm ninguém por eles, meu filho. Não os condene.
MANUEL - Que é que eu posso fazer? Esse aí era um bispo avarento, simoníaco, político...
A COMPADECIDA - Mas isso é a única coisa que se pode dizer contra ele. E era trabalhador, cumpria suas obrigações nessa parte. Era de nosso lado e quem não é contra nós é por nós.
MANUEL - O padre e o sacristão... [Gesto de desânimo].
A COMPADECIDA - É verdade que não eram dos melhores, mas você precisa levar em conta a língua do mundo e o modo de acusar do diabo. O bispo trabalhava e por isso era chamado de político e de mero administrador. Já com esses dois a acusação é pelo outro lado. É verdade que eles praticaram atos vergonhosos, mas é preciso levar em conta a pobre e triste condição do homem. A carne implica todas essas coisas turvas e mesquinhas. Quase tudo oque eles faziam era por medo. Eu conheço isso, porque convivi com os homens: começam com medo, coitados, e terminam por fazer o que não presta, quase sem querer. É medo.
ENCOURADO - Medo? Medo de quê?
BISPO - Ah, senhor, de muitas coisas. Medo da morte...
PADRE - Medo do sofrimento...
SACRISTÃO - Medo da fome...
PADEIRO - Medo da solidão. Perdoei minha mulher na hora da morte, porque a amava e porque sempre tive um medo terrível da solidão.
MANUEL - E é a mim que vocês vêm dizer isso, a mim que morri abandonado até por meu pai!
A COMPADECIDA - Era preciso e eu estava a seu lado. Mas não se esqueça da noite no jardim, do medo por que você teve de passar, pobre homem, feito de carne e de sangue, como qualquer outro e, como qualquer outro também, abandonado diante da morte e do sofrimento.
JOÃO GRILO - Ouvi dizer que até suar sangue o senhor suou.
MANUEL - É verdade, João, mas você não sabe do que está falando. Só eu sei o que passei naquela noite.
A COMPADECIDA - Seja então compassivo com quem é fraco.
MANUEL - Mas esses dois? Você mesma via daqui e comentava o que eles faziam com João Grilo e os outros empregados na padaria!
JOÃO GRILO - Se é por mim, não há dificuldade, porque eu sou tão sem-vergonha, que já me esqueci de tudinho.
MANUEL - Devia ter esquecido lá, João. Pode alegar alguma coisa em favor deles?
A COMPADECIDA - O perdão que o marido deu à mulher na hora da morte, abraçando-se com ela para morrerem juntos.
MANUEL - Isso pode se dizer em favor dele. Mas ela?
ENCOURADO - Enganava o marido com todo mundo.
MULHER - Porque era maltratada por ele. Logo no começo de nosso casamento, começou a me enganar. A senhora não sabe o que eu passei, porque nunca foi moça pobre casada com homem rico, como eu. Amor com amor se paga.
A COMPADECIDA - Eu entendo tudo isso mais do que você pensa. Sei o que as mulheres passam no mundo, se bem que não tenha do que me queixar, porque meu marido era o que se pode chamar um santo.
JOÃO GRILO - Grande novidade!
A COMPADECIDA - O que, João?
JOÃO GRILO - Falei não.
ENCOURADO - Falou, sim. Ele disse: “Grande novidade.”
A COMPADECIDA - Na verdade, João tem toda razão. Falei assim por falar, mas que São José era um santo, não é nenhuma novidade.
ENCOURADO - A senhora está falando muito e vê-se perfeitamente sua proteção com esses nojentos, mas nada pôde dizer ainda em favor da mulher do padeiro.
A COMPADECIDA - Já aleguei sua condição de mulher, escravizada pelo marido e sem grande possibilidade de se libertar. Que posso alegar ainda em seu favor?
PADEIRO - A prece que fiz por ela antes de morrer. O mais ofendido pelos atos que ela praticava era eu e, no entanto, rezei por ela. Isso deve ter algum valor.
A COMPADECIDA - E tem. Alego isso em favor dos dois.
MANUEL - Está recebida a alegação.
A COMPADECIDA - Quanto a Severino e ao cabra dele...
MANUEL - Quanto a esses, deixe comigo. Estão ambos salvos.
ENCOURADO - É um absurdo contra o qual...
MANUEL - Contra o qual já sei que você protesta, mas não recebo seu protesto. Você não entende nada dos planos de Deus. Severino e o cangaceiro dele foram meros instrumentos de sua cólera. Enlouqueceram ambos, depois que a polícia matou a família deles e não eram responsáveis por seus atos. Podem ir para ali. [Severino e o Cangaceiro abraçam os companheiros e saem para o céu.]
BISPO - E nós?
SACRISTÃO - Decida-se logo, por favor, porque essa ansiedade é pior do que qualquer outra coisa.
MANUEL - Não diga isso, você não sabe o que se passa lá. Qualquer ansiedade é melhor do que aquilo.
ENCOURADO - É, mas não posso ficar eternamente à espera. Qual é a sentença?
A COMPADECIDA - Um momento, meu filho. Antes de dizer qualquer coisa, não se esqueça de que o frade absolveu a todos condicionalmente e rezou por eles.
MANUEL - Pois não. Vou então proferir a sentença.
JOÃO GRILO - Um momento, senhor. Posso dar uma palavra?
MANUEL - Você o que é que acha, minha mãe?
A COMPADECIDA - Deixe João falar.
MANUEL - Fale, João.
JOÃO GRILO - Os cinco últimos lugares do purgatório estão desocupados?
MANUEL - Estão.
JOÃO GRILO - Pegue esses cinco camaradas e bote lá.
A COMPADECIDA - É uma boa solução, meu filho. Dá para eles pagarem o muito que fizeram e assegura a sua salvação.
JOÃO GRILO - E tem a vantagem de descontentar aquele camarada ali que é pior do que carne de cobra. Não está vendo ele ali, de costas?
MANUEL - Estou.
JOÃO GRILO - Isso é de ruim.
MANUEL - Minha mãe o que é que acha?
A COMPADECIDA - Eu ficaria muito satisfeita.
MANUEL - Então está concedido.
ENCOURADO - Não tem jeito não. Homem governado por mulher é sempre sem confiança!
MANUEL - Podem ir, vocês cinco. [Os cinco se despedem comovidamente de João Grilo].
JOÃO GRILO - Muito bem. Desmanchem essa cara de enterro e boa viagem para
todos [Saem
todos].
todos].
MANUEL - E agora, nós, João Grilo. Por que sugeriu o negócio para os outros
e ficou de fora?
JOÃO GRILO - Porque, modéstia à parte, acho que meu caso é de salvação direta.
ENCOURADO - Era o que faltava! E a história que estava preparada para a mulher do padeiro?
MANUEL - É, João, aquilo foi grave.
JOÃO GRILO - E o senhor vai dar uma satisfação a esse sujeito, me desgraçando para o resto da vida? Valha-me Nossa Senhora, mão de Deus de Nazaré, já fu menino, fui homem...
A COMPADECIDA [sorrindo] - Só lhe falta ser mulher, João. Já sei. Vou ver o que posso fazer [a Manuel]. Lembre-se de que João estava se preparando para morrer quando o padre o interrompeu.
ENCOURADO - É, e apesar de todo o aperreio, ele ainda chamou o padre de cachorro bento.
A COMPADECIDA - João foi um pobre como nós, meu filho. Teve de suportar as maiores dificuldades, numa terra seca e pobre como a nossa. Não o condene, deixe João ir para o purgatório.
JOÃO GRILO - Para o purgatório? Não, não faça isso assim não. [Chamando a Compadecida à parte]. Não repare eu dizer isso mas é que o diabo é muito negociante e com esse povo a gente pede o mais para impressionar. A senhora pede o céu, porque aí o acordo fica mais fácil a respeito do purgatório.
A COMPADECIDA - Isso dá certo lá no sertão, João! Aqui se passa tudo de outro jeito! Que é isso? Não confia mais na sua advogada?
JOÃO GRILO - Confio, Nossa Senhora, mas esse camarada enrolando nós dois.
A COMPADECIDA - Deixe comigo. [a Manuel]. Peço-lhe então, muito simplesmente, que não condene João.
MANUEL - O caso é duro. Compreendo as circunstâncias em que João viveu, mas isso também tem um limite. Afinal de contas, o mandamento existe e foi transgredido.
A COMPADECIDA - Dê-lhe então outra oportunidade.
MANUEL - Como?
A COMPADECIDA - Deixe João voltar.
MANUEL - Você se dá por satisfeito?
JOÃO GRILO - Demais. Para mim é até melhor, porque daqui para lá eu tomo cuidado para a hora de morrer e não passo nem pelo purgatório, para não dar gosto ao cão.
A COMPADECIDA - Então fica satisfeito?
JOÃO GRILO - Eu fico. Quem deve estar danado é o filho de chocadeira.
[O Encourado, furioso, volta-se para João, mas nesse momento, dá um grande grito, deita-se no chão e rasteja até onde está a Virgem para que ela lhe ponha o pé sobre a nuca (cf. Gênesis, 3, 15), saindo depois].
JOÃO GRILO - Que foi que ele teve, meu Deus?
A COMPADECIDA - Na raiva, virou-se para você e me viu.
JOÃO GRILO - Quer dizer que estou despachado, não é?
MANUEL - Não. Vou deixar que você volte, porque minha mãe me pediu, mas só deixo com uma condição.
JOÃO GRILO - Qual é?
MANUEL - Você me fazer uma pergunta a que eu não possa responder. Pode ser?
JOÃO GRILO - Está difícil.
MANUEL - É possível, você que é tão esperto?
JOÃO GRILO - Mais esperto do que eu é o senhor que me criou. Mas vou tentar sempre.
A COMPADECIDA - Isto, João. Tenha coragem, não desanime, que eu estou aqui, torcendo por você.
JOÃO GRILO - Então estou garantido. Eu me lembro de que uma vez, quando
Padre João estava me ensinando catecismo, leu um pedaço do Evangelho. Lá se
dizia que ninguém sabe o dia e a hora em que o dia do Juízo será, nem homem, nem
os anjos que estão no céu, nem o Filho. Somente o Pai é que sabe. Está escrito
lá assim mesmo?
MANUEL - Está. É no Evangelho de São Marcos, capítulo treze, versículo trinta e dois.
JOÃO GRILO - Isso é que é conhecer a Bíblia! O Senhor é protestante?
MANUEL - Sou não, João, sou católico.
JOÃO GRILO - Pois na minha terra, quando a gente vê uma pessoa boa e que entende de Bíblia, vai ver é protestante. Bom, se o senhor não faz objeção, minha pergunta é esta. Em que dia vai acontecer sua segunda ida ao mundo?
MANUEL - João, isso é um grande mistério. É claro que eu sei, mas ninguém entenderia nada, se eu explicasse. Nem posso explicar nada agora, porque você vai voltar e isso faz parte de minha vida íntima com meu Pai.
JOÃO GRILO - Então deixe eu ir-me embora. Acredito que o senhor saiba, isso faz parte de sua vida íntima com o senhor seu Pai, mas o que o senhor disse foi que eu podia voltar se lhe fizesse uma pergunta a que o Senhor não pudesse responder.
A COMPADECIDA - É verdade, meu filho.
MANUEL - Eu sei, mas para que você não fique cheio de si, vou lhe confessar que já sabia que você ia-se sair bem. Minha mãe já tinha combinado tudo comigo, mas você estava precisado de levar uns apertos. Estava ficando muito saído.
JOÃO GRILO - Quer dizer que posso voltar?
MANUEL - Pode, João, vá com Deus.
JOÃO GRILO - Com Deus e com Nossa Senhora, que foi quem me valeu [Ajoelhando-se diante de Nossa Senhora e beijando-lhe a mão]. Até à vista, grande advogada. Não me deixe de mão não, estou decidido a tomar jeito, mas a senhora sabe que a carne é fraca.
A COMPADECIDA - Até à vista, João.
JOÃO GRILO [beijando a mão de Cristo]. Muito obrigado senhor. Até à vista.
MANUEL - Até à vista, João. [João bota o chapéu de palha velho e esburacado na cabeça e vai saindo].
MANUEL - João!
JOÃO GRILO - Senhor?
MANUEL - Veja como se porta.
JOÃO GRILO - Sim senhor [Sai de chapéu na mão, sério curvando-se].
MANUEL - Se a senhora continuar a interceder desse jeito por todos, o
inferno vai terminar como disse Murilo: feito repartição pública, que existe mas
não funciona."
Do livro de Ariano Suassuna. Auto da Compadecida. Rio de Janeiro,
Agir, 2005
Mamãe Coruja
terça-feira, 22 de julho de 2014
Nunca entendi as guerras...
Olás...
Confesso que hoje, ao ler o noticiário, no intervalo destinado ao almoço, chorei ao me deparar com (mais) uma cena triste: imagens de crianças feridas nessa guerra absurda. Mais de 500 vítimas em conflito, sendo 121 crianças mortas, em Gaza. Eu disse: crianças.
Ainda me choca a imagem que rodou o mundo, quando bombas foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, naquele 6 de agosto de 1945. Só em escrever, dói-me n´alma.
Decorridos tantos anos, e nesse interstício de tempo, quantos já não morreram? E quantos sequer tiveram alguma relação com a "ideologia" de quem está guerreando?
Também penso nesses soldados, como devem retornar (se é que retornam) para seus lares!? Sabemos como retornam, após o estrago físico e mental que a Guerra, impiedosamente, lhes marca.
Nunca consegui entender os motivos! Nunca quero entendê-los. Jamais quero alguma justificativa plausível para tamanha atrocidade.
E, muitas vezes, não tem motivo algum. Nenhum. Por isso inventam motivos.
Alguém sabe como começou a Segunda Guerra Mundial? Contam-nos, após muito tempo, que a Guerra começou com uma grande mentira, que formalmente marcou o início dos conflitos. Hitler mandou um comando se vestir de soldados poloneses e simulou uma agressão da Polônia a um posto de fronteira alemão. Então, aquele comando de soldados alemães vestidos de soldados poloneses invadiu a fronteira da Alemanha e transmitiu uma mensagem de rádio por esse mesmo posto. Retiraram uma pessoa de um campo de concentração - que já existia - e conseguiram "produzir" um cadáver que teria sido assassinado pelos soldados poloneses (na verdade eram soldados alemães). Assim, tiveram o pretexto, com base numa grande mentira, para invadir o território vizinho da Polônia. Começa, assim, a Guerra, com a invasão da Polônia (já há muito planejada pelo exército alemão).
Lembrando desse episódio, li há algum tempo, um Livro que ganhei de uma professora durante o Curso de Comunicação Social - Jornalismo, cujo título é "A Arte da Entrevista - Uma Antologia de 1823 aos Nossos Dias". Além de entrevistados ilustres, contém um time dos mais expressivos entrevistadores, trazendo grandes fatos históricos dos últimos séculos nas palavras de seus principais personagens.
Pois bem! Lembro-me perfeitamente, que ao chegar em casa, esfomeada que sou por leitura, fui logo percorrendo o sumário. Chamou-me à atenção ler, de imediato, a entrevista de George Sylvester Viereck com Hitler. Não porque essa pessoa (?) traga-me algum prazer em ser citada, mas sim porque ainda hoje, procuro reforçar minha convicção de que a Humanidade estava diante de um predador tresloucado, com um poder de persuadir outras pessoas, com o mesmo intento: o mal! E reforçar, para sempre repassarmos esses fatos à História, de forma que aquelas atrocidades jamais aconteçam, é somente por isto que menciono o episódio, aqui. Sugiro, assim, que assistam "Olhos Azuis" (Blue Eyes), documentário sobre preconceito e exclusão social.
George Sylvester Viereck, segundo o Livro, já havia entrevistado Adolf Hitler em 1923, quando ele ainda era um obscuro personagem da vida política europeia. Naquela oportunidade, Viereck anotou: "Este homem, se sobreviver, fará história, para o bem ou para o mal."
E o fim todos sabemos! Mas foi mesmo o fim?
A História das Guerras parece um círculo vicioso. Alguém lucra! A indústria bélica ganha horrores com essa carnificina. Quiçá essa mesma quantia fosse investida para curar as feridas produzidas por essas guerras. Mas não há paga para quem perde um filho, o marido, a esposa, a mãe, o pai... Famílias inteiras são extirpadas... e essa dor é massacrante, dolorosa e interminável, e agravada pela dor da destruição de suas casas, escolas, hospitais, provocada por artefatos cada vez mais potentes na arte de MATAR e DESTRUIR.
Que modo absurdo é esse, que já não enxerga princípios, valores e sentimentos, e guerreia em nome de não sei quem, para não sei o quê?
O que tenho feito, e sempre assim faço, é pedir a Deus que acolha aqueles que perdem o livre arbítrio, por imposição das guerras. Que afague e console aqueles que ficaram a lamentar, dia e noite, a perda dos seus queridos.
O que mais posso fazer? Só não quero entender, jamais, os motivos das GUERRAS, tenham elas mentiras ou verdades.
Mamãe Coruja (triste)
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Alívio! Enfim, ganhamos a (outra) COPA!
Olás...
Cumprindo
os acordos firmados entre o Governo e a oposição, os senadores também aprovaram
o PLC 61/2014, que estende por mais dez anos (2019-2029) os benefícios da Lei
8.248/1991, a chamada Lei de Informática, assim como a vigência, até 2050, das
Áreas de Livre Comércio (ALCs), instaladas desde os anos de 1990 nos Estados do
Amazonas, Amapá, Rondônia e Roraima.
Esta "COPA" tem uma importância imensa para o
Estado do Amazonas: prorrogados, por mais 50 anos (20023-2073), os
incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM). Os políticos, finalmente, saíram da discussão provinciana e o Brasil entendeu a importância da ZFM.
Pela votação expressiva em
primeiro e segundos turnos (60 votos favoráveis, nenhum contrário e sem
abstenções), observa-se que a classe política entendeu, enfim, a importância
desse ato para o Brasil e, quiçá, para o Mundo (e mais adiante explicarei o
porquê desta extensão mundial).
Na
primeira semana de agosto próximo, a Emenda Constitucional 20/2014 (ZFM) deverá
ser promulgada, em sessão no Congresso Nacional. As prorrogações da Lei de
Informática e das Áreas de Livre Comércio ainda dependerão de sansão da
presidente Dilma Rousseff.
Além
da aprovação dos 50 anos da ZFM, ficou estabelecida a redução do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) para o setor de informática. Pelo texto, até
2024, valerá a redução de 80%. Em 2025 e 2026, a redução será de 75%; e, de
2027 a 2029, de 70%. A extinção do benefício está prevista para 2029, dez anos
a mais que o prazo atual de vigência (2019). No caso dos bens e serviços de
informática produzidos nas regiões da Superintendência de Desenvolvimento da
Amazônia (Sudam) e da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene),
será mantida a redução de 95% do IPI até 2024. Em 2025 e em 2026, a redução
passará a ser de 90%; e, de 2017 a 2029, de 85%.
O Estado do Amazonas, apesar
de ser grandioso em extensão, também tem seus grandes gargalos. Distante dos
grandes centros econômicos do País e extremamente carente de rodovias intermunicipais
(o Estado tem 62 municípios), os rios têm sido o “caminho” natural, embora,
anualmente, esse caminho seja interrompido, sobremaneira, por causa do período
de seca.
Com a redução dos níveis das
águas, o transporte regular de balsas em alguns rios da região é interrompido,
dificultando o escoamento da produção agrícola e de cargas, por exemplo,
interferindo significativamente na economia do Estado. O transporte fluvial desempenha um
importante papel para o desenvolvimento sustentável da região, além de
constituir um estímulo para atividades industriais, comerciais e turísticas.
O cenário,
que para a maioria dos turistas em busca de emoção e aventura na região é tido
como espetáculo da Natureza, para os que vivem (e sobrevivem) nesse peculiar
espaço as dificuldades se apresentam todos os dias.
Sendo o Estado provido de um solo altamente fértil,
água farta durante o ano todo, ainda assim produtores rurais e o agricultor enfrentam particularidades distintas do restante do território brasileiro. Apesar de sua
grande extensão, nunca foi dada a devida importância à malha hidrográfica. O
foco dos parcos investimentos sempre foi direcionado ao modal rodoviário. Foram
construídas estradas e rodovias, como a Belém - Brasília (BR-010), Perimetral
Norte (BR - 156), Cuiabá - Porto Velho (BR - 174), Transamazônica (BR - 230),
entre outras, para servir de vetores da expansão da Amazônia. E aqui está o disparate: essa cobertura
rodoviária é restrita, sendo que menos de 10% dos municípios do Amazonas têm acesso por estradas. Além disso, em sua maioria, as
rodovias operam até hoje precariamente durante o período das chuvas e em função
da falta de conservação. Outras, em
grandes trechos, como na Transamazônica, é impossível trafegar até mesmo
montado em um lombo de um cavalo.
Abro um parêntesis para enfatizar o estado
precário dessas rodovias, vivenciado pelo ex-jogador David Beckhan. Recentemente, ele fez
uma viagem de moto pela Floresta Amazônica. Pé na lama mesmo. A expedição virou
documentário. Deu para terem uma ideia de como é sobreviver num lugar inóspito,
distante de tudo e de todos (e consideremos que Beckhan tinha todo um aparato para ultrapassar essas dificuldades).
Retomando o assunto, foco desta matéria, com a
prorrogação dos incentivos fiscais para a ZFM agora definidos, espera-se, do
Governo do Estado e de todos os órgãos que o compõem, incluindo a sociedade,
medidas que permitam estimular a implantação/manutenção de empresas do setor, o
desenvolvimento ou produção de bens e serviços, investimentos em atividades de
pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação. Mas, muito mais,
investimentos do governo federal na recuperação dessas rodovias, como uma forma
de facilitar o escoamento da produção agrícola, hoje quase ineficaz por conta
dessas adversidades.
Por
meio da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição - PEC 20/2014, e da
forma como foi aprovada, vislumbra-se arriscar – e não seria de outra maneira –
que houve um convencimento de todo o Brasil de que a Zona Franca de Manaus é o maior projeto
ambiental com desenvolvimento econômico e social. A conservação da floresta, a
importância da biodiversidade teve papel fundamental na aprovação e na
construção desse acordo, daí sua importância também para o mundo.
Aqui
temos a maior reserva de água doce do mundo. A maior floresta do mundo. O
Estado é rico em recursos naturais. Então, a preservação de todas essas fontes,
sem o desmatamento/queimada da floresta, sem a poluição dos rios muito irá
influenciar na qualidade de vida do Planeta.
Agora, é hora de muito investimento em
logística, em infraestrutura, na liberação da BR-319 (rodovia federal que liga as cidades de Manaus (AM) a Porto Velho (RO), em capital
intelectual, inovação intelectual, formação de mão de obra, laboratório,
ciência e tecnologia porque não podemos confiar só em incentivo fiscal. Daqui
pra frente, há que se pensar em produtos bons e baratos para garantirmos um
mercado no Brasil e em crescentes mercados no exterior. Podemos copiar modelos que têm dado certo, porque a concorrência está à porta.
Com essa "garantia", por mais 50 anos, recomeça o interesse de novos investimentos. Com as as fábricas operando e investindo em empregos no Estado, especialmente na capital
(Manaus), nem se cogita a não permanência desse Pólo Industrial no Estado. As consequências seriam drásticas e danosas, até mesmo para o meio ambiente. Sem emprego e sem renda, haveria uma migração maciça dessa mão de obra para a área agrícola. Em consequência: mais queimadas e mais riscos ao chamado Pulmão do Mundo.
Por isso ratifico: Todos nós ganhamos com mais esta VITÓRIA.
Mamãe Coruja
quarta-feira, 16 de julho de 2014
“O que estou fazendo é ético?”
Olás...
Certamente
(quase) todo mundo já se fez essa pergunta: “O que estou fazendo é ético?” Mas pouco se sabe das respostas,
porque cada pessoa interpreta o conceito de ÉTICA à sua maneira, adequando-o ao seu melhor interesse. Mas não
deveria ser assim!
Segundo
Houaiss, “ética - substantivo feminino –
parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam,
distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo esp. a
respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em
qualquer realidade social.” E, ainda, por extensão do sentido, “conjunto de regras e preceitos de ordem
valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade”.
Ética,
portanto, está ligada à Moral, uma vez que esta é o “conjunto de valores, individuais ou coletivos, considerados universalmente
como norteadores das relações sociais e da conduta dos homens” (Houaiss). Na Ética, a característica é o
caráter do indivíduo. É absoluta. A Moral são os costumes, que passam a mudar
conforme o passar do tempo; ou de lugar; ou de país; ou de etnias dentro de um
país. A Moral, portanto, é relativa.
Transportando
à ciência a pergunta “O que estou
fazendo é ético?”, passamos a refletir sobre Ética na Pesquisa Científica.
E, para abordar o assunto, necessário se faz um paralelo com as Normas Mertonianas
(Merton, 1942), sendo: universalidade (universalism),
compartilhamento (communism),
desapego material (disinterestedness)
e ceticismo sistemático (organized
skepticism). Trata-se da adoção, pela comunidade científica, de uma ética
reguladora.
Entretanto,
esse ethos científico reflete o cotidiano
do pesquisador? Esse padrão de comportamento “perfeito” não contrasta com
muitos aspectos da vida pessoal e social, tornando inviável a prática plena?
Por
outro lado, o particularismo (influência das localizações geográficas das instituições
científicas p. ex.), individualismo, tendenciosidade (força de opiniões
dominantes, p. ex.), e dogmatismo, são opostos que levam o indivíduo a ter MÁ
CONDUTA.
Em
se tratando, porém, do campo científico, o que leva o indivíduo a ter má conduta? Negligência e Desonestidade
seriam as vertentes que desencadeiam esse tipo de comportamento? Se sim, como
ocorrem? É de forma deliberada, como fabricação de dados, falsificação de
dados, plágios, pirataria (biopirataria), o uso indevido dos recursos destinados à pesquisa, e má representação (entre tantos
outros exemplos)?
Por
que o indivíduo pratica essas duas vertentes - negligência e desonestidade – ?
Poder-se-ia elencar algumas respostas, mas é provável que ambição e a necessidade em obter
reconhecimento e privilégios sejam as mais apontadas. Vaidade pessoal, portanto.
Estaria
o ethos mertoniano (Robert Merton) morto e enterrado?
Apesar
de ter sofrido inúmeras críticas, nas décadas de 60/70, de volta ao
cenário, o ethos mertoniano tem sido
incluído como tema nas discussões envolvendo vários segmentos da ciência, e muito se tem debatido
sobre ética na ciência e responsabilidade social, especialmente
por conta dos casos recentes, como do Dr. Hwang Woo-suk Hwang, ao utilizar
dados falsos em sua alegação de clonagem humana; do Dr. Phil Jones, da
Universidade de East Anglia, acusado de manipular dados sobre o clima; bem como
da anulação da patente da empresa do setor de biotecnologia Myrriad Genetics,
que havia pesquisado e patenteado a descrição e o isolamento de um gene ligado
ao câncer.
A
questão da ética poderia ser estendida, neste espaço, para muitos outros
ângulos, da situação mais simples: ocupar a vaga de um idoso e/ou gestante no
estacionamento de um shopping, por
exemplo; ou ficar de braços cruzados
observando os desmandos do governo, por achar que não gosta de Política, e
então que o resto se dane; ou, na ânsia do furo de reportagem, um jornalista
põe em risco mais de 10 anos de pesquisa, porque obteve informações
privilegiadas de determinada instituição
científica.
Na
VI Cúpula dos Brics, realizada em Fortaleza (Ce), Brasil, dos 5 (cinco) países
participantes – China, Rússia, Índia, África do Sul e Brasil – a exemplo do que
aconteceu na COPA (perdendo o título e o trono), o Brasil não tem lucrado com (quase) nada. Um dos focos
desses encontros vem sendo a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), cujo
objetivo é o financiamento de projetos de infraestrutura em países emergentes.
É o que dizem. É o que propõem. É o que ainda não se viu acontecer.
Ontem,
ao ouvir no rádio, enquanto me dirigia ao trabalho, que nesse VI Encontro o
Brasil – leia-se a Presidenta Dilma – negociou com Putin a exploração, pela
Rússia, de petróleo e gás na Amazônia, confesso que fiquei preocupada, mais uma
vez.
Já
não bastasse a Petrobrás ter sofrido um “abate” nas últimas “negociações” –
caso de Pasadena (EUA)– agora mais esta: entrada e saída, de forma deliberada e
autorizada – para que novos estrangeiros mandem na Amazônia.
Assim,
a coisa tá russa!
E
vem à tona a questão da Ética. Até que ponto isso é ético, na Política?
É
dever de todos nós, como cidadãos, a preocupação com a ÉTICA (e em qualquer
campo que se aplique), porque está em jogo nossa dignidade e a confiança que as
pessoas têm em nossos atos. A Ética perpassa, basicamente, pelo RESPEITO AO SER
HUMANO.
Referências
http://atlas.sct.embrapa.br/houaiss2009/cgi-bin/HouaissNet.exe
sexta-feira, 11 de julho de 2014
As (minhas) lições da COPA
Olás...
"Apesar de sabermos, mas para reforçar, ando extraindo algumas lições
dos últimos acontecimentos ligados à COPA, os quais - se bem apurados -
podem servir de aprendizagem para os vários segmentos da vida ( social e
profissional, inclusive).
Veiculei no e-mail institucional - como eventualmente faço -, uma mensagem de final de semana, transcrita para este espaço. Não foi preciso a COPA para isso. Mais de 2o anos em gestão de pessoas me ensinaram muitas coisas, e continuo aprendendo outras. Corrigi muitos dos meus erros, e também colaborei para que outros erros, de outros, fossem corrigidos. Outros mais, e bem melhor, evitados.
Eventos paralelos àqueles que acontecem em nossas vidas podem servir de exemplos- bons ou ruins -, dos quais podemos absorver algum aprendizado.
Até o final da COPA, e além dela, por seus efeitos e reflexos, decerto cada um fará a sua prestação de contas. Mas, por enquanto, é isso:
1. O trabalho em equipe, com um só foco e objetivo, rende vitórias e resultados satisfatórios;
2. Nunca apostar em um só talento, porque se tiver uma equipe
talentosa qualquer ausência será preenchida com o mesmo nível de
qualidade;
3. Jamais subestimar o concorrente, achando que temos o melhor. Ele pode estar mais adiantado procurando conhecer nossas falhas;
4. Disciplina é o começo para o sucesso, porém não espere que a disciplina seja imposta a você, mas sim COBRE isso de você.
Etc.
Aproveitando, extraí do Livro A ARTE DA PRUDÊNCIA (Baltasar
Gracian), dois ensinamentos. Mas, antes, deixo um pensamento meu, resultado
de várias reflexões, recuos, concessões... e caminhar sempre em frente: " Tolo é aquele que não aproveitou o conhecimento e a experiência de sua vida para adquirir sabedoria".
"194. Ser realista quanto a si e quanto aos próprios interesses.
Ainda mais se está apenas começando a viver. Todos têm a si mesmos em alta conta, principalmente os que menos são. Cada um sonha com um grande destino e se imagina um prodígio. A esperança faz promessas mirabolantes, e a experiência falha em cumprir. Serve de tormento à imaginação vã a verdadeira realidade. Que a sensatez corrija semelhantes desacertos e, embora podendo desejar o melhor, esteja preparado para o pior, de modo a aceitar qualquer resultado com serenidade. É destreza mirar um pouco alto para ajustar o tiro, mas não tanto que seja desatino. Ao iniciar uma carreira, adapte suas expectativas. Onde falta a experiência, é frequente as presunções se revelarem falhas. A inteligência constitui uma panaceia para todas as tolices. Conheça cada um seu campo de ação e sua posição e ajuste sua imaginação à realidade."
(...)
225. Conhecer o principal defeito.
Ninguém vive sem ter um contrapeso da sua melhor qualidade, e se a inclinação o favorece, subjuga a pessoa como um tirano. Comece a combatê-lo prestando-lhe atenção, identificando-o. Dê, para esse defeito, a mesma atenção que lhe é dada por quem o observa. Para ser senhor de si, deve refletir sobre si mesmo. Vencida essa imperfeição, que é a maior de todas, as outras se acabarão. "
Bom Final de Semana!!!"
Mamãe Coruja
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