Olás...
Mais uma perda para os que ficam. Mais um tesouro para aqueles que o recebem. Dia 23 próximo passado foi a vez de Ariano Suassuna fazer a tal "viagem". E lá se foi mais um (dos bons) escritores brasileiros, autor do livro AUTO DA COMPADECIDA, que o consagrou definitivamente em todo o País, e que depois virou filme.
A peça de teatro, transformada em série e depois em filme, foi um grande sucesso. Assisti ao filme umas "trocentas" vezes, e sempre achei o máximo terem criado, enfim, um Jesus negro. Matheus Nachtergaele (João Grilo) e Selton Mello (Chicó) estavam divinos interpretando personagens "diferentes" dos triviais até então vistos.
O "diálogo" entre a Compadecida (Nossa Senhora), advogada que se contrapõe ao Encourado (o "coisa feia", como me refiro) ante o juiz Manoel (Jesus Cristo) no julgamento final de João Grilo, é por demais hilário.
A criatividade de Ariano Suassuna levou-o a criar uma Nossa Senhora defensora pública ardorosa e que, com muito fundamento, defendeu João Grilo na encenação do julgamento final. Até Jesus Cristo chegara à conclusão de que não havia defesa para João Grilo, um estelionatário, um mentiroso, um calhorda, alegre e calhorda e delicioso calhorda, mas calhorda. Quando o promotor, feliz da vida, já pensava em arrastar mais uma alma para o Inferno, Nossa Senhora argumenta: "Meu filho, astúcia, a mentira, é a única arma do pobre. Absolva este homem".
Tudo bem! São valores negativos incorporados à nossa vida diária e não valem como exemplos. Mas, como ficção, o filme me rendeu boas gargalhadas em todas as vezes que o assisti.
Para quem ainda não leu o livro, tampouco assistiu ao filme, aqui vai uma provinha do que é bom(aliás, excelente!):
"JOÃO GRILO - Ah isso é comigo. Vou fazer um chamado especial, em verso. Garanto
que ela vem, querem ver? (Recitando).
Valha-me Nossa Senhora,
Mãe de Deus de Nazaré!
A vaca mansa dá leite,
A braba dá quando quer.
A mansa dá sossegada,
A braba levanta o pé.
Já fui barco, fui navio,
Mas hoje sou escaler.
Já fui menino, fui homem,
Só me falta ser mulher.
ENCOURADO - Vá vendo a falta de respeito, viu?
JOÃO GRILO - Falta de respeito nada, rapaz! Isso é o versinho de
Canário Pardo que minha mãe cantava para eu dormir. Isso tem nada de falta de
respeito!
Já fui barco, fui navio,
Mas hoje sou escaler.
Já fui menino, fui homem,
Só me falta ser mulher.
Valha-me Nossa Senhora,
Mãe de Deus de Nazaré.
(Cena igual à da aparição de Nosso Senhor, e Nossa Senhora, a
Compadecida, entra).
ENCOURADO [com raiva surda] - Lá vem a compadecida! Mulher em tudo
se mete!
JOÃO GRILO - Falta de respeito foi isso agora, viu? A senhora se zangou
com o verso que eu recitei?
A COMPADECIDA - Não, João, por que eu iria me zangar? Aquele é o
versinho que Canário Pardo escreveu para mim e que eu agradeço. Não deixa
de ser uma oração, uma invocação. Tem umas graças, mas isso até a torna alegre e
foi coisa de que eu sempre gostei. Quem gosta de tristeza é o diabo.
JOÃO GRILO - É porque esse camarada aí, tudo o que se diz ele enrasca a
gente, dizendo que é falta de respeito.
A COMPADECIDA - É máscara dele, João. Como todo fariseu, o diabo é
muito apegado às formas exteriores. É um fariseu consumado.
ENCOURADO - Protesto.
MANUEL - Eu já sei que você protesta, mas não tenho o que fazer, meu
velho. Discordar de minha mãe é que não vou.
ENCOURADO - Grande coisa esse chamego que ela faz para salvar todo
mundo! Termina desmoralizando tudo.
SEVERINO - Você só fala assim porque nunca teve mãe.
JOÃO GRILO - É mesmo, um sujeito ruim desse, só sendo filho de
chocadeira!
A COMPADECIDA - E para que foi que você me chamou, João?
JOÃO GRILO - É que esse filho de chocadeira quer levar a gente para o
inferno. Eu só podia me pegar com a senhora mesmo.
ENCOURADO - As acusações são graves. Seu filho mesmo disse que há tempo
não via tanta coisa ruim junta!.
A COMPADECIDA - Ouvi as acusações.
ENCOURADO - E então?
JOÃO GRILO - E então? Você ainda pergunta? Maria vai-nos defender.
Padre João, puxe aí uma Ave-Maria!
PADRE (ajoelhando-se - Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,
bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto de vosso ventre,
Jesus.
JOÃO GRILO - Um momento, um momento. Antes de respondermos, lembrem-se
de dizer, em vez de “agora e na hora de nossa morte”, “agora na hora de nossa
morte”, porque do jeito que nós estamos, está tudo misturado.
TODOS - Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora na
hora de nossa morte. Amém.
A COMPADECIDA - Não precisava fazer a modificação, João. Eu
entenderia.
JOÃO GRILO - É, a senhora eu acredito que entendesse, mas aquele
sujeito ali, com muito menos do que isso, faz uma confusão.
A COMPADECIDA - Está bem, vou ver o que posso fazer.
JOÃO GRILO (ao Encourado) - Está vendo? Isso aí é gente e gente
boa, não é filha de chocadeira não! Gente como eu, pobre, filha de Joaquim e de
Ana, casada com um carpinteiro, tudo gente boa.
MANUEL - E eu, João? Estou esquecido nesse meio?
JOÃO GRILO - Não é o que eu digo, Senhor? A distância entre nós e o Senhor
é muito grande. Não é por nada não, mas sua mãe é gente como eu, só que gente
muito boa, enquanto que eu não valho nada [Ocorrendo-lhe a brincadeira]. Mas com
toda desgraça, acho que sou menos ruim do que o sacristão.
A COMPADECIDA - Intercedo por esses pobres que não têm ninguém por
eles, meu filho. Não os condene.
MANUEL - Que é que eu posso fazer? Esse aí era um bispo avarento,
simoníaco, político...
A COMPADECIDA - Mas isso é a única coisa que se pode dizer contra ele.
E era trabalhador, cumpria suas obrigações nessa parte. Era de nosso lado e quem
não é contra nós é por nós.
MANUEL - O padre e o sacristão... [Gesto de desânimo].
A COMPADECIDA - É verdade que não eram dos melhores, mas você precisa
levar em conta a língua do mundo e o modo de acusar do diabo. O bispo trabalhava
e por isso era chamado de político e de mero administrador. Já com esses dois a
acusação é pelo outro lado. É verdade que eles praticaram atos vergonhosos, mas
é preciso levar em conta a pobre e triste condição do homem. A carne implica
todas essas coisas turvas e mesquinhas. Quase tudo oque eles faziam era por
medo. Eu conheço isso, porque convivi com os homens: começam com medo, coitados,
e terminam por fazer o que não presta, quase sem querer. É medo.
ENCOURADO - Medo? Medo de quê?
BISPO - Ah, senhor, de muitas coisas. Medo da morte...
PADRE - Medo do sofrimento...
SACRISTÃO - Medo da fome...
PADEIRO - Medo da solidão. Perdoei minha mulher na hora da morte,
porque a amava e porque sempre tive um medo terrível da solidão.
MANUEL - E é a mim que vocês vêm dizer isso, a mim que morri abandonado
até por meu pai!
A COMPADECIDA - Era preciso e eu estava a seu lado. Mas não se esqueça
da noite no jardim, do medo por que você teve de passar, pobre homem, feito de
carne e de sangue, como qualquer outro e, como qualquer outro também, abandonado
diante da morte e do sofrimento.
JOÃO GRILO - Ouvi dizer que até suar sangue o senhor suou.
MANUEL - É verdade, João, mas você não sabe do que está falando. Só eu
sei o que passei naquela noite.
A COMPADECIDA - Seja então compassivo com quem é fraco.
MANUEL - Mas esses dois? Você mesma via daqui e comentava o que eles
faziam com João Grilo e os outros empregados na padaria!
JOÃO GRILO - Se é por mim, não há dificuldade, porque eu sou tão
sem-vergonha, que já me esqueci de tudinho.
MANUEL - Devia ter esquecido lá, João. Pode alegar alguma coisa em
favor deles?
A COMPADECIDA - O perdão que o marido deu à mulher na hora da morte,
abraçando-se com ela para morrerem juntos.
MANUEL - Isso pode se dizer em favor dele. Mas ela?
ENCOURADO - Enganava o marido com todo mundo.
MULHER - Porque era maltratada por ele. Logo no começo de nosso
casamento, começou a me enganar. A senhora não sabe o que eu passei, porque
nunca foi moça pobre casada com homem rico, como eu. Amor com amor se
paga.
A COMPADECIDA - Eu entendo tudo isso mais do que você pensa. Sei o que
as mulheres passam no mundo, se bem que não tenha do que me queixar, porque meu
marido era o que se pode chamar um santo.
JOÃO GRILO - Grande novidade!
A COMPADECIDA - O que, João?
JOÃO GRILO - Falei não.
ENCOURADO - Falou, sim. Ele disse: “Grande novidade.”
A COMPADECIDA - Na verdade, João tem toda razão. Falei assim por falar,
mas que São José era um santo, não é nenhuma novidade.
ENCOURADO - A senhora está falando muito e vê-se perfeitamente sua
proteção com esses nojentos, mas nada pôde dizer ainda em favor da mulher do
padeiro.
A COMPADECIDA - Já aleguei sua condição de mulher, escravizada pelo
marido e sem grande possibilidade de se libertar. Que posso alegar ainda em seu
favor?
PADEIRO - A prece que fiz por ela antes de morrer. O mais ofendido
pelos atos que ela praticava era eu e, no entanto, rezei por ela. Isso deve ter
algum valor.
A COMPADECIDA - E tem. Alego isso em favor dos dois.
MANUEL - Está recebida a alegação.
A COMPADECIDA - Quanto a Severino e ao cabra dele...
MANUEL - Quanto a esses, deixe comigo. Estão ambos salvos.
ENCOURADO - É um absurdo contra o qual...
MANUEL - Contra o qual já sei que você protesta, mas não recebo seu
protesto. Você não entende nada dos planos de Deus. Severino e o cangaceiro dele
foram meros instrumentos de sua cólera. Enlouqueceram ambos, depois que a
polícia matou a família deles e não eram responsáveis por seus atos. Podem ir
para ali. [Severino e o Cangaceiro abraçam os companheiros e saem para o
céu.]
BISPO - E nós?
SACRISTÃO - Decida-se logo, por favor, porque essa ansiedade é pior do
que qualquer outra coisa.
MANUEL - Não diga isso, você não sabe o que se passa lá. Qualquer
ansiedade é melhor do que aquilo.
ENCOURADO - É, mas não posso ficar eternamente à espera. Qual é a
sentença?
A COMPADECIDA - Um momento, meu filho. Antes de dizer qualquer coisa,
não se esqueça de que o frade absolveu a todos condicionalmente e rezou por
eles.
MANUEL - Pois não. Vou então proferir a sentença.
JOÃO GRILO - Um momento, senhor. Posso dar uma palavra?
MANUEL - Você o que é que acha, minha mãe?
A COMPADECIDA - Deixe João falar.
MANUEL - Fale, João.
JOÃO GRILO - Os cinco últimos lugares do purgatório estão
desocupados?
MANUEL - Estão.
JOÃO GRILO - Pegue esses cinco camaradas e bote lá.
A COMPADECIDA - É uma boa solução, meu filho. Dá para eles pagarem o
muito que fizeram e assegura a sua salvação.
JOÃO GRILO - E tem a vantagem de descontentar aquele camarada ali que é
pior do que carne de cobra. Não está vendo ele ali, de costas?
MANUEL - Estou.
JOÃO GRILO - Isso é de ruim.
MANUEL - Minha mãe o que é que acha?
A COMPADECIDA - Eu ficaria muito satisfeita.
MANUEL - Então está concedido.
ENCOURADO - Não tem jeito não. Homem governado por mulher é sempre sem
confiança!
MANUEL - Podem ir, vocês cinco. [Os cinco se despedem comovidamente
de João Grilo].
JOÃO GRILO - Muito bem. Desmanchem essa cara de enterro e boa viagem para
todos [Saem
todos].
MANUEL - E agora, nós, João Grilo. Por que sugeriu o negócio para os outros
e ficou de fora?
JOÃO GRILO - Porque, modéstia à parte, acho que meu caso é de salvação
direta.
ENCOURADO - Era o que faltava! E a história que estava preparada para a
mulher do padeiro?
MANUEL - É, João, aquilo foi grave.
JOÃO GRILO - E o senhor vai dar uma satisfação a esse sujeito, me
desgraçando para o resto da vida? Valha-me Nossa Senhora, mão de Deus de Nazaré,
já fu menino, fui homem...
A COMPADECIDA [sorrindo] - Só lhe falta ser mulher, João. Já
sei. Vou ver o que posso fazer [a Manuel]. Lembre-se de que João estava
se preparando para morrer quando o padre o interrompeu.
ENCOURADO - É, e apesar de todo o aperreio, ele ainda chamou o padre de
cachorro bento.
A COMPADECIDA - João foi um pobre como nós, meu filho. Teve de suportar
as maiores dificuldades, numa terra seca e pobre como a nossa. Não o condene,
deixe João ir para o purgatório.
JOÃO GRILO - Para o purgatório? Não, não faça isso assim não.
[Chamando a Compadecida à parte]. Não repare eu dizer isso mas é que o
diabo é muito negociante e com esse povo a gente pede o mais para impressionar.
A senhora pede o céu, porque aí o acordo fica mais fácil a respeito do
purgatório.
A COMPADECIDA - Isso dá certo lá no sertão, João! Aqui se passa tudo de
outro jeito! Que é isso? Não confia mais na sua advogada?
JOÃO GRILO - Confio, Nossa Senhora, mas esse camarada enrolando nós
dois.
A COMPADECIDA - Deixe comigo. [a Manuel]. Peço-lhe então, muito
simplesmente, que não condene João.
MANUEL - O caso é duro. Compreendo as circunstâncias em que João viveu,
mas isso também tem um limite. Afinal de contas, o mandamento existe e foi
transgredido.
A COMPADECIDA - Dê-lhe então outra oportunidade.
MANUEL - Como?
A COMPADECIDA - Deixe João voltar.
MANUEL - Você se dá por satisfeito?
JOÃO GRILO - Demais. Para mim é até melhor, porque daqui para lá eu
tomo cuidado para a hora de morrer e não passo nem pelo purgatório, para não dar
gosto ao cão.
A COMPADECIDA - Então fica satisfeito?
JOÃO GRILO - Eu fico. Quem deve estar danado é o filho de
chocadeira.
[O Encourado, furioso, volta-se para João, mas nesse momento, dá um
grande grito, deita-se no chão e rasteja até onde está a Virgem para que ela lhe
ponha o pé sobre a nuca (cf. Gênesis, 3, 15), saindo depois].
JOÃO GRILO - Que foi que ele teve, meu Deus?
A COMPADECIDA - Na raiva, virou-se para você e me viu.
JOÃO GRILO - Quer dizer que estou despachado, não é?
MANUEL - Não. Vou deixar que você volte, porque minha mãe me pediu, mas
só deixo com uma condição.
JOÃO GRILO - Qual é?
MANUEL - Você me fazer uma pergunta a que eu não possa responder. Pode
ser?
JOÃO GRILO - Está difícil.
MANUEL - É possível, você que é tão esperto?
JOÃO GRILO - Mais esperto do que eu é o senhor que me criou. Mas vou
tentar sempre.
A COMPADECIDA - Isto, João. Tenha coragem, não desanime, que eu estou
aqui, torcendo por você.
JOÃO GRILO - Então estou garantido. Eu me lembro de que uma vez, quando
Padre João estava me ensinando catecismo, leu um pedaço do Evangelho. Lá se
dizia que ninguém sabe o dia e a hora em que o dia do Juízo será, nem homem, nem
os anjos que estão no céu, nem o Filho. Somente o Pai é que sabe. Está escrito
lá assim mesmo?
MANUEL - Está. É no Evangelho de São Marcos, capítulo treze, versículo
trinta e dois.
JOÃO GRILO - Isso é que é conhecer a Bíblia! O Senhor é
protestante?
MANUEL - Sou não, João, sou católico.
JOÃO GRILO - Pois na minha terra, quando a gente vê uma pessoa boa e
que entende de Bíblia, vai ver é protestante. Bom, se o senhor não faz objeção,
minha pergunta é esta. Em que dia vai acontecer sua segunda ida ao mundo?
MANUEL - João, isso é um grande mistério. É claro que eu sei, mas
ninguém entenderia nada, se eu explicasse. Nem posso explicar nada agora, porque
você vai voltar e isso faz parte de minha vida íntima com meu Pai.
JOÃO GRILO - Então deixe eu ir-me embora. Acredito que o senhor saiba,
isso faz parte de sua vida íntima com o senhor seu Pai, mas o que o senhor disse
foi que eu podia voltar se lhe fizesse uma pergunta a que o Senhor não pudesse
responder.
A COMPADECIDA - É verdade, meu filho.
MANUEL - Eu sei, mas para que você não fique cheio de si, vou lhe
confessar que já sabia que você ia-se sair bem. Minha mãe já tinha combinado
tudo comigo, mas você estava precisado de levar uns apertos. Estava ficando
muito saído.
JOÃO GRILO - Quer dizer que posso voltar?
MANUEL - Pode, João, vá com Deus.
JOÃO GRILO - Com Deus e com Nossa Senhora, que foi quem me valeu
[Ajoelhando-se diante de Nossa Senhora e beijando-lhe a mão]. Até à
vista, grande advogada. Não me deixe de mão não, estou decidido a tomar jeito,
mas a senhora sabe que a carne é fraca.
A COMPADECIDA - Até à vista, João.
JOÃO GRILO [beijando a mão de Cristo]. Muito obrigado senhor.
Até à vista.
MANUEL - Até à vista, João. [João bota o chapéu de palha velho e
esburacado na cabeça e vai saindo].
MANUEL - João!
JOÃO GRILO - Senhor?
MANUEL - Veja como se porta.
JOÃO GRILO - Sim senhor [Sai de chapéu na mão, sério
curvando-se].
MANUEL - Se a senhora continuar a interceder desse jeito por todos, o
inferno vai terminar como disse Murilo: feito repartição pública, que existe mas
não funciona."
Do livro de Ariano Suassuna. Auto da Compadecida. Rio de Janeiro,
Agir, 2005
Mamãe Coruja