terça-feira, 9 de dezembro de 2014

<--- Chegadas e Partidas --->

Olás...

Mais uma vez.
Passaste por aqui e fostes em outra direção. 
Pela segunda vez, em pouco tempo, tuas passagens têm sido rápidas. 
Quando retornas... mais rápidas, ainda. 
Para longe, de novo, tu alças voo.
E volto,  acompanhada do choro que não ouso conter, 
Sem (quase) ninguém perceber, abafo a saudade no travesseiro.
Aqui te espero (na verdade, te esperamos). 
Sento, pacientemente, e te  espero.
Vigio as horas. Controlo o corpo. Fico incapaz.
Não importa a hora do voo, levo-te ao Aeroporto, 
Aproveito cada segundo da tua presença, junto a mim.
Ou de ficar à tua espera,  quando regressas.
Adoro conversar contigo, porque nos entendemos bem. 
Em qual direção tu  fores, minha saudade será  sempre a mesma: imensa.
Fico contigo até entrares na Sala de espera do Aeroporto.
Até que digam que o avião irá decolar.
Daqui há alguns dias, regressas.
Adoro ler o aviso do voo no pátio:
Sinal de que já em pouco segundos te abraçarei.
Do contrário, entristeço-me ler o aviso de que já irás...
Seja o que for, definitivamente,
Fico contigo, sempre.
No meu coração sempre estarás. 


Saguão do Aeroporto Internacional Eduardo Ribeiro




Mamãe Coruja

domingo, 7 de dezembro de 2014

Eles não têm medo...da cor rosa.

Olás...
Uma flor, que muitos passam e não dão importância,
mas quando a vi, captei a sua essência:o sentido de estar, ali,
por onde eu transito todos os dias, no ambiente de trabalho.
Outubro já se foi. Passado? Sim, no calendário, porque o "Outubro Rosa" deve estar presente em nossas atenções,  de janeiro a dezembro.

O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente da doença, e o mais comum entre as mulheres. As taxas  de mortalidade  por câncer de mama,  no Brasil, continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados.

Importante sabermos que apenas o exame das mamas -  feito pela própria mulher - não substitui o exame físico realizado por profissional de saúde qualificado para essa atividade.

O bom, muito bom,é sabermos que os homens apoiam essas campanhas de prevenção.E não estão ligando se, para isso, devem se vestir de rosa. Isso, sim, são atitudes de... homens!

Oriona Ohse - Presidente do Gama - Grupo de Apoio às Mulheres Mastectomizadas da Amazônia.
(Emocionante palestra, contando a própria experiência ao saber ter câncer de mama)
Os brincos, nas minhas fotos, abaixo, foram doados a ela, porque,  durante o depoimento, ela passou as mãos pela cabeça e percebeu que estava sem brincos. Levantei-me, de impulso, e doei os meus. E ficaram perfeitos nela.


Outubro Rosa...sempre!

A  luz só não ofuscou a beleza do ato... dele.

 Obrigada!

"La Vie en Rose"

Como as flores do Ipê Rosa...

... caem,mas enfeitam o chão por onde passam os atores da Vida!



Mamãe Coruja

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Clima: 62 anos do Nevoeiro de Londres

Olás...


E lá estão, ricos e pobres, de novo, discutindo sobre (des)acordo climático global. São tantas reuniões realizadas,  que já era tempo para terem resolvido todos os problemas do Planeta.

Desta vez é a Conferência Climática das Nações Unidas, a COP 20, que acontece em Lima, no Peru. Exatamente hoje, dia 05/12, a COP entra em seu quinto dia, sem que a prévia do rascunho do tal novo acordo climático global tenha sido apresentado aos países.

E foi há exatos 62 anos, nesta data, entre 5 e 9/12/1952, que ocorreu  O Nevoreiro de 1952,   conhecido também como Big Smoke. Período de severa poluição atmosférica, que encobriu a cidade de Londres, o fenômeno foi considerado como um dos piores impactos ambientais até então, sendo causado pelo crescimento incontrolado da queima de combustíveis fósseis na indústria e nos transportes. Acredita-se que o nevoeiro tenha causado a morte de 12.000 londrinos, e deixado outros 100.000 doentes.
E, desde lá, podemos afirmar que avançamos? Sim. Podemos dizer que esforços conjuntos têm sido envidados para que essas tragédias não se repitam.

Mas não têm sido suficientes.

Há pouco tempo,  conforme matéria "A propósito de «A vida na Terra por um Fio», um ponto de vista da Amazónia - Chama a Mamãe " representantes dos governos também estavam reunidos para discutir sobre o clima no mundo.
Agora, no Peru, os mesmos discursos – que não correspondem à prática – estão sendo repetidos. Senão, vejamos  o que disse o negociador-chefe do Brasil, o embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho, ao se referir às discussões dentro da Plataforma de Durban, instrumento diplomático criado dentro da convenção da ONU que permite criar um tratado para o clima. Segundo ele, ocorrem “de forma efetiva e se encaminham para alcançarem um resultado”. “O que estamos fazendo é uma varredura total de todos os temas para vermos o que dará para fazer. Hoje [quinta] não temos um texto ainda. Mas esse é o objetivo da conferência, terminar com um texto”.

Juro que já li e ouvi esse discurso, antes!

Os debates em Lima são considerados importantes por diplomatas e cientistas por ser a última chance de costurar um plano que obrigará os países a cortar emissões de gases-estufa antes de sua aprovação, em 2015. Sua entrada em vigor está prevista para 2020.

A presença massiva desses gases na atmosfera acelera o aumento da temperatura do planeta e causa as mudanças climáticas, como uma maior quantidade de chuvas, enchentes, seca, além do degelo das calotas polares, sobretudo no Ártico. Cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima, o IPCC, atestam que essas alterações já ocorrem e se agravam.

Pronto. Até parece que descobriram a pólvora! São assuntos – e com respostas recorrentes da Natureza – que conhecemos – no mundo – tão bem.

As grandes potências, boa parte obrigada a reduzir as emissões desde que o Protocolo de Kyoto – único tratado resultante desta convenção – foi criado, em 1997, alegam que importantes nações em desenvolvimento (Brasil, China, Índia e África do Sul) têm que seguir regras rígidas para diminuir o envio de gases à atmosfera.

O famoso “empurra, empurra”, e egos em questão.

O embate se dá porque o bloco “mais pobre”, em tese, não quer frear seu desenvolvimento e cortar bruscamente as emissões, o que é exigido pelo bloco “mais rico”.
Uma proposta do governo brasileiro que esfria os ânimos nessa discussão, tornando-a mais dinâmica e mantendo a responsabilidade histórica das emissões, foi aceita pelos diplomatas e deve ser inserida no rascunho do novo acordo.

Mas até onde podemos acreditar que essa proposta será colocada em prática, se até mesmo quem faz a proposta não enxerga para o seu umbigo?

“Há muito interesse dos países e o fato do próprio presidente da COP [o ministro do Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar Vidal] ter requisitado uma apresentação nossa é uma demonstração de que as coisas estão tomando corpo. É uma forma de melhorar o regime de implementação”, explica o embaixador.

Mas tomando corpo é o que mesmo?

“Ela [a proposta] pode acalmar os ânimos, porque muitos países desenvolvidos se dão conta que [o mecanismo] tende a ser justamente o fio condutor dessa nova posição da negociação, com aumento de ambição e superando a questão de autodiferenciação, que milita contra o objetivo do acordo”, complementa... mas não disse nada com nada!

Outro tema em discussão na COP 20 é sobre o que os países inseridos no Protocolo de Kyoto vão fazer para reduzir suas emissões até 2020, durante o segundo período de vigência deste tratado obrigatório. Chamado de segundo trilho das negociações, ele ainda não teve grandes avanços durante a cúpula peruana.

Novidade? Nenhuma.

Nos próximos dias, as discussões vão aumentar de ritmo com a chegada dos ministros para o Segmento de Alto Nível, que terá início na próxima terça-feira (9). O acordo final precisa ser aprovado e assinado na Conferência do Clima de Paris, a COP 21, no ano que vem.

Uau! Eu também quero discutir esse assunto em Paris, bancada com o dinheiro dos contribuintes, falar bla bla bla... e depois explicar que estamos avançando nesse aspecto.

Vele a pena a transcrição:

Em dezembro de 1952, uma frente fria chegou a Londres e fez com que as pessoas queimassem mais carvão que o usual no inverno. O aumento na poluição do ar foi agravado por uma inversão térmica, causada pela densa massa de ar frio. O acúmulo de poluentes foi crescente, especialmente de fumaça e partículas do carvão que era queimado.

Devido aos problemas econômicos no pós-guerra, o carvão de melhor qualidade para o aquecimento havia sido exportado. Como resultado, os londrinos usaram o carvão de baixa qualidade, rico em enxofre, o que agravou muito o problema.

O nevoeiro resultante, uma mistura de névoa natural com muita fumaça negra, tornou-se muito denso, chegando a impossibilitar o trânsito de automóveis nas ruas. Muitas sessões de filmes e concertos foram canceladas, uma vez que a plateia não podia ver o palco ou a tela, pois a fumaça invadiu facilmente os ambientes fechados."

Fontes, com adaptações:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Nevoeiro_de_1952

Mamãe Coruja

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Metade em mim...

Olás...



... Impressão minha, ou metade de ti está em mim?



Um dos (grandes) amores da minha vida.

Maíra Luísa,
Teu nome traduz,
Amor de menina,
Criança feliz.


Metades... juntas.


Mamãe Coruja

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Traços marcantes


Olás...


Algumas vezes, num lampejo, 
Mais jovem, nela, me vejo.

Ela sabe que terá meus traços,
Tempos à frente.
Eu, trago-os, da minha mãe,
Tempos atrás.

Desses semblantes queridos,
Não os esquecemos. 
Jamais!





Mamãe Coruja

domingo, 30 de novembro de 2014

A Chacina dos Periquitos

Olás...

Com muita vergonha, uso este espaço para demonstrar toda a minha tristeza em saber, que o ser, chamado de racional, o Homem, é capaz de atos tão monstruosos, como esse.
Vergonha, porque em uma Região, cujo metro quadrado, é tido como o de maior biodiversidade do mundo, acontece uma "chacina" dessas.

Estou com o coração em luto. Espero que as autoridades locais e os órgãos que são criados para proteger a fauna brasileira, dessa vez possam fazer algo.

Não sou do tipo que esconde debaixo do tapete as coisas ruins da cidade na qual moro, e mostrar somente as maravilhas, como se fosse um  mundo do faz de conta.

Aqui está a capacidade do Homem em destruir a beleza. Em tornar mórbido o que é  belo. 

Lamentável.

Eu,  que amo o canto de qualquer pássaro - todos os dias tenho esse privilégio, seja no ambiente do trabalho, ou em casa - fiquei chocada com o episódio.

Pensei: Quantas pessoas, com deficiência áudio-visual, não dariam tudo para ouvir o canto de um pássaro? Quantas?

E vejam o que acontece:

http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2014/11/telas-em-arvores-no-am-contribuem-para-morte-de-periquitos-diz-biologo.html

Sem mais palavras.

Mamãe Coruja

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Os negros dos EUA



 Olás...

Pois bem. Se o que acontece nos EUA fosse mais um caso no Brasil, o mundo certamente estaria em polvorosa. Mas sendo o ocorrido em uma potência mundial, tudo - parece - tem explicação. 

Os jornais noticiaram, em todos os meios de comunicação, que os EUA enfrentaram uma segunda noite de protestos e violências, com centenas de pessoas se manifestando, em diferentes cidades - Nova York também -   contra a morte do jovem Michael Brown, que foi assassinado pela Polícia, em agosto passado, no Estado do Missouri, na cidade de Ferguson, onde os atos estão sendo mais violentos. Nessa última noite, houve uma intervenção maior, por parte da Força Nacional, impedindo, por exemplo, os saques e que colocassem fogo em carros. 

Mas as manifestações continuam, desde que o policial, que é o autor dos disparos, que matou o jovem negro Michael Brown, acabou inocentado, ou seja, o inquérito não seguiu em frente e isso vem causando a série de manifestações. 

Em um país que inspirou as políticas afirmativas e elegeu um presidente negro, esperava-se avanço nesse debate, mas ainda são questões muito mal resolvidas nos EUA.

Talvez a gente aqui, vendo de fora, pudesse achar que houve avanços, mas quem está lá, deve ver o mundo do jeito que ele é, e parece que ele é diferente. A própria declaração que  Obama deu ontem, mostra que é diferente. Ele diz que “as frustrações que temos visto não são sobre o incidente particular. Elas têm raízes profundas em muitas comunidades negras, que sentem que nossas leis nem sempre são aplicadas de modo uniforme ou suficiente”. 

Então, O Presidente da República, sendo ele negro ou não,  está dizendo que há uma justiça para negros e outra pra quem não é negro. Isso mostra que lá é um caldeirão de fogo,  essa questão. Os EUA foram, talvez, líderes nessas políticas afirmativas, mas está provado que não resolveu e a questão é muito mais profunda do que essa suposta injustiça com o policial.

Ele não foi nem inocente. O Júri considerou que não havia indícios suficientes para levá-lo a julgamento. Então, nem foi resolvido se ele era inocente ou culpado, não tinha de ser julgado (o que chamamos no Brasil de fase da pronúncia). Não foi nem acusado, na verdade. 

É um país que ainda não resolveu essa questão. E,  de vez em quando, o mundo se surpreende com um exemplo como esses. No entanto,  quem por lá mora, principalmente os negros americanos, veem isso no dia a dia. 

Talvez tenha um dado também a mais, nessa questão, que transforme o fato em fato americano, em uma  tragédia americana.  Li, em um jornal, acerca da declaração de uma advogada, dizendo que a policia nos EUA tem um status especial, desde o 11 de setembro, porque a segurança foi ampliada de toda maneira possível, criando a percepção de que a polícia é a última linha de defesa entre trabalhadores e criminosos. Portanto,  existiria uma tendência de júris, como esse que absolveu  o policial, a ser condescendente com os policiais, que é uma tendência que vem desde 11/09. Então,  essa questão não está resolvida e nem vai ser resolvida tão cedo, se chega ao ponto que chegou agora, é porque vai demorar muito para resolver a questão racial nos EUA.


Há alguns dias, também outro caso, de um menino que estava com uma arma de brinquedo na mão, um menino negro, e que também acabou sendo baleando, atingido por  outro policial, o que só mostra que há uma sequência de casos e que não é um fato isolado, que está em debate nos EUA. Envolve várias forças, de um lado, a população da cidade é 70% negra, então tem esse conflito que é antigo; por outro lado tem uma situação de segurança que já não é racial, tem a ver com terrorismo, com o 11 de setembro, que é o fortalecimento da polícia na questão da segurança. 

Quando esse policial não foi levado a julgamento, foi considerado não quem errou, mas quem iniciou o processo, e quem iniciou o processo foi a Polícia, não o policial. O policial, individualmente, seguiu uma lei, uma regra, que poderia ter atirado na condição que se encontrava. O erro não seria do policial, e sim da Polícia. Mas isso não é claro no que o Júri  diz. Apenas diz que o policial teria direito de defender naquela situação que ele se encontrava. 

Então, é bastante complicado. É um barril de pólvora,  porque são forças opostas muito fortes. A Polícia é muito forte, tem crescido, tem se fortalecido, com o que virou uma certa paranoia. Tem sentido objetivo e claro? Ninguém duvida disso, mas  vai tomando uma dimensão, de uma certa maneira, com o medo do terrorismo, que ele extrapola, vai além daquilo que ele deveria  ter ido.  

As políticas afirmativas, na verdade, fortalecem os negros. E isso é muito bom, não restam dúvidas. Mas não diminuem a segregação. Pelo contrário,  aumentam.

Vejam, uma cidade como essa do episódio, com 70% de negros, mas os negros não têm direitos iguais aos brancos.


Embora existam especialistas e as chamadas ações de inteligência envolvidas nesse aparato, na minha modesta opinião, as políticas afirmativas têm que ter um tempo, elas têm que parar. E a gente não tem que se centrar nisso. E sim centrar numa situação que é criar condições iguais para todo mundo. Mudar o pensamento. É isso que a gente tem que mudar. Mudar o conceito e o valor. 

A gente deveria investir – eu digo "a gente" falando dos EUA,  mas a gente vive isso também no Brasil. Deveríamos investir numa mudança de consciência e percepção. Não adianta objetivamente ir lá e fortalecer essa ou aquela população. 

O que a gente ver nos EUA? Um presidente negro e uma situação em relação aos negros igual ao que era, talvez tenda até a pior.


Outro  exemplo, que também me preocupa: quando a gente faz uma política afirmativa para minorias, para todas as minorias, infelizmente aumenta a criminalidade. 

Não adiantam apenas políticas afirmativas. É preciso mudar a consciência. Do que estou falando?  Falo da homofobia, por exemplo,  no Brasil  acontece isso. Então, quanto mais atos sobre tolerância à homofobia acontecem, tem aumentado os crimes  contra homofobia, acontecendo nas ruas.

Enfim, política afirmativa para negros, homossexuais ou qualquer classe desprivilegiada é necessária, mas é preciso que junto a isso venha uma mudança de consciência, senão não adianta nada. O  que estamos vendo nos EUA é a prova disso.


Mamãe Coruja