segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Licença Maternidade também para o pai.

Olás...


Em Santa Catarina (PR), um pai ganhou o direito de se afastar do trabalho, por 120 dias, para cuidar da filha, após a morte da mulher no parto.

Marcos Antônio Denke foi à Justiça para ter a garantia do recebimento do Auxílio Maternidade e, ainda, ser beneficiado com a Licença Maternidade de 120 dias, e conquistou essa vitória. Ele ficou viúvo assim que a filha dele nasceu. Adriana Matias, sua esposa, teve complicações  durante o parto e morreu.

A vitória é considerada histórica, não apenas por ser um homem a se beneficiar com o Auxílio Maternidade, mas pelo fato de que a mulher já não contribuía para a Previdência Social, desde 2011. De acordo com o advogado que entrou com a ação, o benefício é voltado para o recém-nascido e não para os pais. A Licença Maternidade é um bem para a criança. E foi com base nisso que ele teve vitória na Justiça.

Essa conquista tem singular importância, porque, de fato, o beneficiado não é a mãe ou o pai, e sim a criança, e não só para o recebimento do carinho materno. A princípio,  o benefício de 120 dias, que é maternidade (e não paternidade), não é um benefício para a mãe, apesar da maioria entender que é direcionado à  mãe, porque ela vai ficar em casa, não vai trabalhar fora e vai poder cuida do seu filho.

Não. Quando a Licença Maternidade é  pensada, ela é pensada para a criança, é ela que tem direito de receber 24 h/dia, nos seis primeiros meses de vida, a atenção de alguém, pra isso a mãe fica em casa para cuidar. Mas é a criança o centro do direito. Então, quando a mãe morre, nesse caso e em outras situações (por exemplo às vezes não tem pai, e a mãe morre), quem vai fazer jus à Licença Maternidade tem direito aos 120 dias, mesmo não sendo o pai.  

O que a lei garante é que essa criança seja acompanhada, porque trabalhos científicos comprovam que o recém-nascido precisa de atenção 24h/dia, que alguém  cuide dela 100% (geralmente, é a mãe ou é o pai). A lei garante isso.

No caso do Auxílio Maternidade é a criança a ter esse direito. Não é porque a mãe interrompeu o pagamento da contribuição à Previdência Social que a criança não terá o direito reconhecido. O direito dela é ser bem tratada. No caso do Marcos Antônio, que  é o pai, ele também tem direito ao auxílio financeiro para cuidar desse recém-nascido

Às vezes nos esquecemos desses casos trágicos. Uma bonita história se não fosse trágica. A dor desse processo  de perda é muito grande, então é preciso  garantir ao  pai  o mínimo de conforto nesse momento, que é poder cuidar de seu filho.

Nas corporações, nos escritórios e no dia a dia associamos sempre esse direito à mulher. Por isso, a gente acha que é um direito da mãe. Desconhecemos  os nossos direitos, talvez por que tenha sido dessa forma que colocaram na cabeça da gente, de que é a mulher quem cuida do filho, aquela  que  amamenta.

A Licença Paternidade é um direito menor e bem mais recente. Porém, o pai também deveria ter esse direito mais estendido. Direitos  iguais, de acompanhar e fazer parte desses primeiros meses de vida da criança. São cenários que estão mudando e a gente se surpreende, mas na esperança que em breve não nos surpreendamos mais.

Enfim, um bonito exemplo.
 
Mamãe Coruja

sábado, 31 de janeiro de 2015

As (nossas) canções.

Olás...


Estou refletindo, divagando...

O que será de mim quando as canções se forem?
Ouvirei a canção do teu coração?

Estou refletindo, imaginando...

Quando fores,  sem voltas,
Quais as canções que não mais ouvirei?
Aquelas que muito dançamos?
"Insensatez".

Sei que não dissemos adeus,
Mas o destino se cumpriu.
Não posso – e não quero -  desfazer,
O que era para ser, seguiu.

Posso amar outro alguém,
Mas tu serás único.
Insubstituível. Indelével.
Com todos os teus defeitos.
Como impressão digital, 
Não poderei mudar.

Fico imaginando...

Perdi  o controle de tudo,
Até do teu olhar sobre mim.
Tudo o mais  se perdeu.
Estava escrito no livro em branco de nossas vidas.
E eu nada sabia. Não queria teus segredos.
Eras único.

Vês a triste ironia?

Hoje tenho todo o tempo para ti,
Pra poder te dizer: “Venha para mim”.
Aqui, em qualquer lugar sinto tua falta,
Mas amanhã será outro dia,
Em mais um lugar,  a noite.

Encontrei uma razão para lembrar  de ti.
Não ouvir as nossas canções.
Sei que nos reencontraremos
E escreverei uma canção para nós dois.

Enquanto isso,  ouço meu coração, que me diz
Quão adorável  és.
Que pena nos separarmos.
Não estávamos enganados: era difícil.
Mas desistimos.

Penso que seja melhor eu voltar...

Voltar ao começo de tudo
Reveses da vida.
Quem irá consertar meus cacos?
Temo que eu reveze contigo.
Por seres único.

Penso...

Se eu nunca tivesse tentado,
Jamais iria saber.
Que és único.
Sonhei e me dei conta que era sonho...
Quando acordei.

Em algum lugar
Sentes-me, de qualquer maneira.
Mas...por hoje, basta-me!

Não quero mais pensar.

Esperarei...


Eu, nalgum lugar


Mamãe Coruja

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A CRISE DA FALTA D´ÁGUA

Olás...


Quando o Sistema Cantareira secará? O Êxodo chegou a São Paulo? A culpa é de Deus? Quando as autoridades deixarão de enrolar? Quando assumirão que haverá racionamento de água? O volume morto do Sistema Cantareira já vai ser "enterrado"? 

A esses questionamentos nem especialistas sabem respondê-los, por várias razões. Uma delas, porque não são especialistas no que diz respeito a apresentar soluções para um problema que ameaçava "transbordar" a qualquer instante, ou, melhor dizendo, em qualquer verão.

Desde o ano passado (2014), temos acompanhado no noticiário o problema da falta d´água em áreas urbanas do País. Ultimamente, a situação tem piorado, a exemplo de algumas cidades dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. 

Qualquer brasileiro sabe identificar no mapa a região no Brasil onde a escassez de água é extrema: o Semiárido nordestino. Nessa região, são inúmeras as localidades que não contam com fontes permanentes de água doce, como rios, lagos, açudes e poços. Nesses casos, a pouca água que existe - literalmente - cai do céu.

Contudo, a suportação das dramáticas e longas secas na Região Nordeste tem sido encarada pelo conformado povo nordestino com um "Deus sabe o que faz", e rezas ao "Padim Ciço (Padre Cícero). Na "terra ardendo qual fogueira de São João", em uma das trágicas secas na década de 70, cinco anos sem cair um pingo d´água de chuva, 50% do gado morreu por falta d´água, a desnutrição explodiu e milhares de pessoas morreram de sede e fome. No semiárido, quase não tem lagos e rios volumosos, que poderiam induzir a formação de aguaceiros locais.

Aliás, tenho um amigo que nasceu em Olho D´Água das Flores, sertão de Alagoas. Ele sempre comenta que por lá nunca existiu flores, muito menos água. Mas, segundo  pesquisa, em 1800 existia um olho d´água ao pé de uma serra. Mas meu amigo não é de 1800, ora bolas!

Voltemos ao tema.

O que tem acontecido nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, com a temperatura chegando aos 40º,  e mais a falta d´água, traz-nos um fato inusitado: a população dessas cidades também estão andando com a lata d´água na cabeça (o povo do sertão nordestino não está mais sozinho, embora muito mais acostumado com a escassez de água, e está aí a honrosa característica: povo corajoso, persistente e fervoroso). 

Indústrias que dependem da água para suas atividades já estão preocupadas com a escassez de água na cidades de São Paulo. Algumas estão funcionando parcialmente; outras ameaçam fechar se o problema se tornar mais grave.  E, a cada dia, a situação vai se agravando, embora uma evacuação em massa ainda não esteja na ordem do dia. Futuramente, poderá ser uma medida dramática e radical, na opinião do filósofo Roberto Malvezzi, da equipe de preservação do rio São Francisco, caso as autoridades continuem a contar somente com as chuvas para resolver a crise, sem criar um Plano B.

Mas a culpa é de Deus e do seu Ministro das Águas, São Pedro. É o que já estão discursando as autoridades!

Ainda pela manhã, ouvi no noticiário que haverá racionamento de água em São Paulo. Putz! Até que enfim admitiram. Passaram, desde o início do problema, no ano passado, a afirmarem que não teria racionamento. Onde está a transparência, da água e dos atos?

Ora, se Deus não ordenou ao seu Ministro, Pedro, para que enviasse água - leia-se chuva - e por aqui os "Ministérios do Faz de Conta" não tinham (e ainda não têm) um Plano B, então é necessário racionar, haja vista a capacidade do Sistema  Cantareira está muito aquém do esperado.

Desde cedo, desde há muito, estava claro que seria necessário racionar água, até mesmo para uma criança de 5 anos, que assim concluiria, caso fosse-lhe perguntado: - Joãozinho, se tenho uma caixa d´água com 2 mil litros de água para saciar a sede de centenas de pessoas, todos os dias, mas não faço reposição da água nessa caixa, depois de razoável tempo, se a água da chuva não for armazenada na caixa, o que poderá acontecer?
- Fessôra, tá na cara: vai faltar água para essas pessoas!

Mas as autoridades estão culpando Deus pela falta d´água. Deus, o "chefe maior" e seu Ministro das águas, São Pedro. E creio ter descoberto a pólvora: Querem mesmo é mais um Ministério para formar os 40 do Alibabá (Ali-Babá). Afinal, já são 39. Haja contribuição e impostos do trabalhador para alimentar toda essa máquina de sugar recursos públicos.

Se o Sistema Cantareira está passando pela mais dramática crise de falta d´água, essas mesmas autoridades não deveriam indenizar as pessoas, hospitais, residências, indústrias, bares, restaurantes, agricultores, por perdas e danos? A quem cabe fazer estudos constantes nesse sentido,  para evitar iminente crise?

A certeza que temos é uma só: o mundo está cada vez mais sedento de água. E saciar a falta d´água tem se tornado um desafio mundial cada vez mais complexo. Outro desafio é aumentar a vazão de água para as lavouras, considerando que as áreas urbanas já estão sedentas. A escassez da água vai atingir, sobremaneira,  diversos segmentos, inclusive o agropecuário. Preços das frutas, verduras e hortaliças ficarão mais caros, tudo por conta da falta d´água. Brevemente, estaremos sentindo nos bolsos o impacto dessa crise (mais uma).

Na contramão disso tudo, uma ironia do destino: "o Brasil é um país privilegiado, com cerca de 12% da água doce superficial do Planeta correndo em nossos rios. Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations), esse percentual representa o dobro de todos os rios da Austrália e da Oceania, é 42% superior ao da Europa e 25% maior do que os rios do continente africano. Aproximadamente 90% do território brasileiro recebe chuvas abundantes durante o ano, o que favorece a formação de uma extensa e densa rede de rios. "

A Região Amazônica - em especial a Amazônia, paraíso no qual habito - , é a região que detém a maior bacia fluvial do mundo. O (meu) Rio Amazonas possui o maior volume de água, considerado, portanto, um rio essencial para o Planeta. Porém, se continuamos a desperdiçar água, potável ou não, acabaremos perdendo nossos rios, a exemplo dos igarapés que “cortavam” as ruas e avenidas de Manaus. Hoje são filetes de água, poluídos.

É iminente a perda de nossos rios, nossa água,  para aqueles que estão com mais “sede”. Que seja ainda ficção, mas não descarto a possibilidade de começarem a “emprestar” água do Rio Amazonas para outros lugares – até mesmo exterior – a exemplo de como o Brasil já está praticando,  com o “empréstimo” de energia elétrica, dos hermanos argentinos.

O Brasil, conhecido como o País da abundância (e da bunda também), perderá o título, se não começar a despertar para o apocalypse da água (e da bunda, porque muitas, engrandecidas com silicone, também estão despencando).

Com sistemas de abastecimento ultrapassados e comprometidos, não é raro nos depararmos com canos estourados em meio às ruas, jorrando milhões de litros de água. Os postos de lavagem de veículos desandam a usar esse recurso natural como se nunca viesse a faltar; nas residências a torneira fica aberta enquanto lavam as calçadas. É uma pequena amostra dos desperdícios, que em muito nos custará,em um futuro bem próximo.

Enquanto isso, vou pedir que agendem uma reunião com São Pedro, para que nossos (des) governantes aprendam algumas técnicas de armazenamento de água. Ou, em último caso, vamos todos ao enterro do "volume morto".




Mamãe Coruja



domingo, 25 de janeiro de 2015

Índios Zo´é: a última tribo isolada.


Olás...

Emociono-me sempre que vejo pessoas se importarem com a questão indígena, seja qual o lugar e o espaço que se manifestem.

Coincidentemente, a mesma foto que há dias postei em um blog , de Sebastião Salgado, é a mesma que encontrei neste. E olhem a coincidência: um, está do lado de lá do Atlântico, precisamente na Cidade do Porto, em Portugal. Eu, deste lado de cá, em um aglomerado urbano em meio a Floresta Amazônica; um, divulgando uma das culturas mais admiráveis, sem sequer ter ficado perto de uma tribo indígena; outra, tentando chamar a atenção para que esse povo... não seja extirpado de vez da Terra, e especialmente, de suas terras.

Quando interesses em comum se unem, especialmente quando é por uma boa causa, parece que a luta se torna mais forte.

O comentário que registrei no blog acima foi este: "Sim. A questão indígena me encanta, até porque sou da Amazônia. Ano passado, o nosso famoso ex-jogador Ronaldo, o "fenômeno" foi passar uns dias na tribo Zo´é. Achou que iriam gostar da bola que ele levara para presentear os índios. Que nada! Os índios sequer sabiam quem era Ronaldo, e nunca ouviram falar em futebo. Conclusão, eles colocaram a bola a uns metros de distância e, ao invés de jogarem futebol com ela, eles brincaram de flechar a bola. Isso mesmo: flecharam a bola!".

Pena que os Zo´é já tiveram contato com os tais "civilizados". Lamento, porque agora serão explorados nos seus conhecimentos tradicionais!

https://www.youtube.com/watch?v=VpaG3B7ryCM


Mamãe Coruja

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

"Português vulgar"?

Olás...


Encontrei essa "pérola", de Luís Fernando Veríssimo, embora já bastante difundida, há poucos dias a reli, enviada por uma das filhas (um dos motivos ela deve ter pensado: "Isso é a cara da mamãe"). E é!

"Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a 'vulgarização' do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.


"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a ideia de muita quantidade do que 'Pra caralho'? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas Pra caralho, o Sol é quente Pra caralho, o universo é antigo Pra caralho, eu gosto de cerveja Pra caralho, entende?

No gênero do 'Pra caralho', mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso  'Nem fodendo!'. O 'Não, não e não!' e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não" o substituem. 'Nem fodendo' é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranquila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo 'Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!'. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o 'porra nenhuma!' atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um 'é PhD porra nenhuma!', ou 'ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!' . O 'porra nenhuma', como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos 'aspone', 'chepne', 'repone' e, mais recentemente, o 'prepone' - presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um 'Puta-que-pariu!', ou seu correlato  'Puta-que-o- pariu!', falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer um 'puta-que-o- pariu!' dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso 'vai tomar no cu!'? E sua maravilhosa e reforçadora derivação 'vai tomar no olho do seu cú!'. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: 'Chega! Vai tomar no olho do seu cú!'. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: 'Fodeu!'. E sua derivação mais avassaladora ainda: 'Fodeu de vez!'. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? 'Fodeu de vez!'. Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de 'foda-se!' que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do 'foda-se!'? O 'foda- se!' aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. 'Não quer sair comigo? Então foda-se!'. 'Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!'. O direito ao 'foda-se!' deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!.

Grosseiro, mas profundo... Pois se a língua é viva, inculta, bela e mal-criada, nem o Prof. Pasquale explicaria melhor. 'Nem fodendo...'


Luis Fernando Veríssimo"

"Foda-se o adestramento!"



E quem quiser me recriminar por ter publicado isto no blog,  que ......くそ !

Mamãe Coruja

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Adeus, Ditadura!


Olás...

Há 30 anos, na data de hoje (15/01), o Brasil elegia Tancredo Neves, primeiro presidente eleito democraticamente, após 21 anos de Ditadura no País. Um período de dor, de prisão, de cassação, de fechamento do Congresso e todo tipo de violência.

O Brasil iniciava uma nova história. Estávamos sendo apresentados a uma Nova República.

Tancredo Neves venceu no colégio eleitoral por 480 votos, contra 180 dados a Paulo Maluf, que era candidato da situação. Aquele momento foi considerado o marco do fim da Ditadura, embora não tenha chegado a tomar posse, porque, como sabemos, Tancredo morreu no dia 21/abril/1985. Lembro-me do dia da sua vitória, como também o dia de sua morte. O País estava de luto. Eu mesma caí em lágrimas e não saia da frente da TV, acompanhando o noticiário. Era a esperança de multidões que se via ruindo. Poderia comparar à morte de Airton Sena, ou ao recente episódio da Copa no Brasil, ano passado, quando o Brasil sofreu 7 gols da Alemanha. A diferença, que neste recente episódio a decepção veio acompanhada de depredações e ofensas, o que desvirtuou todo o sentimento de tristeza, passando a não ter o apoio da maioria. Ao contrário dos eventos envolvendo a eleição e morte de Tancredo, tal como do Airton Sena, o País inteiro se envolveu, numa comoção jamais vista.

No seu discurso “O Brasil dos nossos dias não admite nem exclusivismo do governo, nem da oposição. Governo e oposição acima dos seus objetivos políticos...”, Tancredo demonstrava a ideia fixa de mudar a fisionomia e o perfil do Brasil como um todo. Não estava preocupado em fazer pontes, mas sim dar ao Brasil uma estrutura moderna e dinâmica.

Passadas três décadas, ainda é possível, hoje, se ter uma noção bem clara da importância daquele momento. Era o sonho do brasileiro, uma data anunciada, o fim da Ditadura, que parecia não ter fim. Uma Ditadura que foi aturada mais tempo do que a Ditadura anterior, de Getúlio Vargas, que já parecia uma Ditadura muito longa.

Sem dúvida, a eleição de Tancredo Neves foi o momento de reconciliação, de renovação. Foi uma data importantíssima, uma data marcante, quem viveu não vai esquecer nunca esse momento. E, quem não a viveu, que procure resgatar a história do País.

Poder-se-ia dizer que o atual período democrático é ainda muito jovem: apenas 30 anos. Nós ainda não vivemos um período tão longo de Democracia, como da Primeira República. Depois da Proclamação da Republica, se descontarmos os anos reais de governo militar, tivemos 40 anos de Democracia. Apesar de estarmos numa Democracia consolidada, que se acredita (mesmo considerando que é nesta Democracia que têm acontecidos os maiores episódios de corrupção), é mais moça do que a Democracia da Primeira República. Apesar das várias conquistas, como o voto do analfabeto, que não existia há pouco mais de 30 anos, as eleições sem fraudes, que era muito comum serem fraudadas, ainda temos muito a conquistar neste período democrático.

O que foi conquistado é pouco. O poder ainda é dividido em capitanias hereditárias. Temos ainda resquícios das oligarquias dominantes. Ainda não se tem alternância de poder, que é uma das características da Democracia.

O País vive o seu momento de crise: escândalos, violência nas ruas, dentro de casa, corrupção e nos perguntamos: Democracia é isso?

Há dias, uns manifestantes – jovens entre eles - afixavam cartazes pedindo pela volta da Ditadura. Quando um repórter perguntou a um daqueles se sabia como era o regime da Ditadura, não soube responder, e começou a ofender o jornalista. Parte daí as mudanças: conhecer a história de seu País antes de reivindicar algo que desconhece. O que existe de errado vamos tentar mudar, mas mudar com mais Democracia, com as armas da Democracia é que iremos melhorar a Democracia. Vamos enfrentar os problemas atuais, que adoecem o sistema democrático com mais democracia!

Porque nada é pior do que a Ditadura. Nada é pior do que se ter um jovem na Ditadura. Nada!

Se refletirmos sobre alguns avanços nesses 30 anos, podemos afirmar que muito foi feito na Democracia, por exemplo: a criação da Secretaria do Tesouro, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Plano Real, a criança na escola, combate à pobreza, à desigualdade, como também a luta dos negros foram avanços dentro da Democracia.

No Livro “Araguaia – História de Amor e de Guerra”, em que o jornalista Carlos Amorim descreve o conflito armado no Sul do Pará, durante o regime militar, ele define a reação das forças armadas a esse conflito, como a maior mobilização de combate desde a segunda guerra mundial.

O que teria motivado as Forças Armadas a uma reação tão forte assim? Na opinião do jornalista, foi completamente desproporcional ao que realmente estava acontecendo no Araguaia. Houve um movimento guerrilheiro, organizado pelo PC do B (Partido Comunista do Brasil), que reuniu algo em torno de 100 pessoas, e as Forças Armadas reagiram contra isso com uma mobilização de tropas estimada em 10 a 15 mil homens. A guerrilha do Araguaia foi o maior exemplo de resistência contra o regime militar durante toda a Ditadura. Durou cerca de 10 anos, entre 1966 (quando chegaram os primeiros militantes do PC do B ao local) e 1977, quando as forças de segurança localizaram, em São Paulo, o Comitê Central do Partido. O que aconteceu ali ficou conhecido como o Massacre da Lapa. Alguns integrantes do PC do B foram assassinados e outros presos.

Ironicamente, apesar de ter sido uma das resistências mais longas, o episódio é o menos conhecido de toda essa história (fui presenteada com o Livro "Guerra de Guerrilhas", lido "trocentas" vezes, pelo então namorado, que sofreu alguns "castigos" por estar cantando uma canção dita "ofensiva" ao Governo).

A luta nas matas começou em 1966, reunindo um grupo estimado em 73 combatentes, mas o regime militar só descobriu o movimento final de 1971. As primeiras tropas chegaram à região somente em abril/1972. E daí os combates duraram ate janeiro de 1975. Uma resistência longa, diante dessa força empenhada pelas forças federais. Uma resistência quase inacreditável. Uma guerrilha completamente despreparada para a reação que ela provocou, desarmada, mobilizada apenas pela intenção de promover uma resistência, um movimento ideológico Ter sobrevivido a todo esse tempo é considerado, pelo jornalista, como um prodígio.

As Forças Armadas realizaram três expedições militares ao Araguaia: as duas primeiras em 1972 e início de 73, e a terceira em outubro de 1973. Os primeiros movimentos militares foram completamente desastrosos. Houve combate entre as tropas federais, sofrendo derrotas inexplicáveis. Eram forças cheias de recrutas, pessoas despreparadas para agir na selva, que fugiram ao som dos primeiros tiros. Um desastre! Somente na última etapa essas forças de segurança aplicaram uma estratégia diferente. Montou uma contraguerrilha com apenas 750 homens. Recrutou moradores locais e envolvia mateiros, índios. Destruiu o movimento revolucionário em poucos meses.

Temos muito a conquistar, muito a se fazer. Ao relembrarmos tristes episódios (o exposto acima é apenas parte do que foi a Ditadura antes desse atual período democrático no Brasil), temos a plena convicção de que também temos muito a comemorar.

Afinal, 30 anos não é pouco, esperamos que seja permanente. Apesar de históricos de democracias na América do Sul serem frágeis, a democracia brasileira é a menos frágil, e esperamos que se fortaleça!
 
Mamãe Coruja

 

domingo, 11 de janeiro de 2015

Fontes de inspiração

Olás...

Em outra oportunidade, comentara sobre o efeito que a chuva  me causa. Principalmente, quando ela cai em um domingo, pelas primeiras horas do dia, e a gente fica sem programar nada que seja fora de casa. Só quer mesmo é ouvir o tilintar da água no telhado.

Este domingo começou assim, chuvoso. Porém, hoje a inspiração que a chuva me traz é o oposto do que neste momento acontece: lembrei-me do Sol! 

Lembrei-me das praias por onde corríamos outrora - o sol bronzeando nossos corpos sem nada de protetor solar -, ou mesmo quando chovia. Interessante como não tínhamos noção do perigo. Se a chuva viesse, ficávamos dentro do rio, ou debaixo de árvores, ou jogando bola - a bola era feita com leite extraído da seringueira. Que importava? 

A chuva não era motivo para pararmos o que estávamos fazendo. Ao contrário, existiam as brincadeiras para quando chovia, e brincadeiras quando o sol se firmava sobre nós. Crescemos. Mas tudo acontece naquele cenário, diria que... quase do mesmo jeito de como ainda me lembro, nessas imagens recentes:

Piquenique na Praia de Pindobal - vivi muito tudo isso
(fotos de Zé Siqueira)
Nesses últimos dias do ano de 2014, infelizmente, ocorreu uma tragédia em Praia Grande, no litoral paulista, quando um raio matou 5 pessoas da mesma família. E  me perguntei: éramos tão tresloucados assim? Ou era a ausência de informações, de conhecimentos sobre os riscos do raio? Hoje sabemos que o Brasil tem maior incidência de raios,  mas àquela época,   vivendo no "brasilsinho" de um "brasil" do Brasil,  sequer tomávamos conhecimento desses estudos, se eles já existiam.

Acredito, mesmo ignorando o perigo dos raios quando se está em uma praia, ou dentro de um rio, é que algo mudou na Natureza fazendo com que essa incidência de raios,  com centenas de vítimas, aumentasse. Por ser um país tropical, quente por natureza, é um dos fatores que favorece. O problema é que as  áreas urbanas têm sido as  mais atingidas, e não mais quase que exclusivo em áreas rurais, descampadas. Por quê?

Não é muito difícil sabermos a resposta.  As edificações, o desmatamento para construir aglomerado de imóveis, a tal corrida do progresso, tudo contribui para o aquecimento do clima, e o resultado dessa expressão nem tão matemática assim, todos sabemos.

Mas a chuva, ainda assim, me encanta. Antes de concluir, desliguei o computador por três vezes, enquanto eu olhava o céu completamente cinzento e molhado. Mas o pensamento me acompanhava, à janela, vendo a água escorrer pela rua. Os pássaros ainda não cantam. Eles só virão agradecer a chuva quando ela diminuir a intensidade. Os galhos das árvores, num bailado, estão sugando a água que vai escorrendo entre as folhagens. Quando a chuva parar, esse  cenário mudará: sons de  cantos de pássaros e os ramos das árvores estarão como quando saímos de um belo banho: frescos, para mais uma aventura, faça chuva ou faça sol.

E, por falar em aventura, as lembranças me remetem à praia onde fazíamos - e ainda fazem - piracaia (uma saborosa tradição cabocla de comer peixe assado à beira da praia, sob o luar).

Vou aceitar o convite de meu irmão, que vive toda essa riqueza ofertada pela Natureza. Irei saborear todas as lembranças que, neste instante,  enquanto a chuva cai, me vêm à mente.

Meu irmão adora pescar. Saiu do calor do asfalto para viver sentindo o cheiro das árvores, das frutas e dos rios.
(fotos de Rodrigo Siqueira)
Voltarei a pisar naquela areia tão alva, naquelas águas azuis e tranquilas do Rio Tapajós. Lá nascemos. Vivemos nossa infância e metade da adolescência. Os rios da minha vida!

Ainda "sinto"  o ranger da areia nos meus pés, quando por ali andávamos
(Fotos de Zé Siqueira)

As águas que banham essas praias são tão transparentes que se veem os grãos de areia brilhando
(Fotos de Zé Siqueira)

A praia fazendo seu caminho,  o rio recebendo-a, de braços abertos.
(Fotos de Zé Siqueira)


A chuva diminuiu, agora, mas -  pelo que vejo pela janela do quarto - ainda promete chover neste domingo. Sabem? Eu espero que continue esse clima bom. 


É sempre prazeroso quando a chuva nos traz essas lembranças... lembranças de como podemos reviver tudo isso, sob sol... chuva... luar, fazendo piracaia na Praia de Pindobal.

Aguarde-me, meu irmão! Apronta a Pousada Juvência, coloca gasolina no barco, quero saborear o tacacá na terrinha onde , final de tarde, as boas tacacazeiras colocavam suas mesinhas e vendiam essa saborosa comida típica de nossa Região, inclusive nossa mãe e tua corajosa e lutadora sogra, que hoje está em outro plano.

Veem? A chuva foi a minha inspiração. Hoje, foi.


Mamãe Coruja