terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Autorretrato

Olás..


Delineei meus traços em um papel, 
Para enxergar o que havia naqueles rabiscos, 
Marcados a esmo, num branco que me corrompe.

Percebi, naquele autorretrato,
As marcas do tempo, retratam.
Indisfarçadas com máscaras, cosméticos.


Vejo-me há alguns anos
Nos traços do papel
Encontro meus sonhos. Enganos.

Selfie à moda antiga.
Quando pintava-me de ti.
E tuas mãos, em mim,  como um pincel.


De cerdas lisas e macias,
Nos teus lábios a tinta fresca,
Coloria-me a vida. Tudo em ti era cor.

Comparo o autorretrato de hoje,
Que retrata meus dias de ontem,
Ao agora, sozinha comigo, o amanhã.


Rabisco o que há em mim.
São leves toques. Sem maquiagem.
Camuflando as cores por onde irei.

Fito-me, naqueles traços descompromissados.
Não me esforço tanto.
Há vida! E  acontece ... quando menos esperamos.


Preciso saber das minhas imperfeições,
Para eu ter mais certeza de mim.
E compor o meu calar com as minhas palavras.


Não adianta me esconder, 
Porque as palavras sempre me encontram.
Elas não têm o cuidado em me esconder. 


Sou o meu retrato quando coisa.
Por ser incompleta, sou rica. Abastada.
Sou outros, vivo o papel de muitos.
Mas sou, especialmente, o silêncio das palavras.

Mamãe Coruja


domingo, 15 de fevereiro de 2015

A vida não é um ensaio...

Olás...

Há muitos dias, nem sei precisar quanto, passara por um lugar pela milésima vez, como faço rotineiramente. Como sou pessoa de perceber detalhes da Natureza ao meu entorno, sou capaz de apostar que jamais vira, durante tantos anos, aquela planta florir. Na verdade, percebi que nem sou tão atenta assim, como imaginava, porque aquela planta certamente já estava ali, plantada, há algum tempo. Talvez eu não a tivesse olhado com os olhos de "agora". Mas sou capaz de apostar que nunca  a vi florir.

Pensei: "Não. Esta planta já estava aí algum tempo. Não pode ter sido plantada hoje e ter florido hoje. Não pode!"

Agave (da família Agavacease)
Daquela vez, ao passar por ela, não interrompi meu trajeto, já no ambiente de trabalho,   para fotografá-la. Tinha um compromisso no trabalho e, qualquer atraso, naquele momento, pareceria desagradável.  "Amanhã, passarei por aqui e, com mais tempo, irei parar para fotografar", pensei e segui ao estacionamento. 

Nos dias seguintes, não me lembro bem, não sei porquê, não fotografei. Sei apenas que quando pude, as flores já não estavam. O espetáculo tinha saído de cartaz, e eu o perdera.

Mas nesta semana, ao fazer a curva... lá estava ela. De longe a vi. Parecia-me dizer: "Vê se desta vez não perdes a oportunidade. O amanhã é impreciso. Aproveita".

Não pensei duas vezes, parei o carro, peguei a minha maquininha e a fotografei. Era o destaque entre todas. A diferença entre tanto verde.


Deste episódio, tirei algumas lições para a minha vida, e reforcei aquelas  já aprendidas e praticadas, diariamente:

1. Acostumamos tanto com o comum, que já não enxergamos o quanto o cotidiano também é essencial em nossa vida,  como se somente algo acima do comum  nos surpreenda, cause-nos impacto;
2. Só prestamos atenção nas pessoas quando elas realizam algo espetacular. Fora disso, nem as enxergamos. Não dizemos bom dia. Não  paramos um pouco do nosso tempo para dedicar àquelas pessoas,  que - diariamente - estão perto de nós;
3. Que todo indivíduo tem um papel a cumprir na vida:  artista, dentista, advogado, faxineiro, pescador, zelador, professor, parteira, médico etc; 
4. No meio de uma multidão de aptidões, cada indivíduo tem a sua e cada uma tem seu especial valor;


5. Por último, e não menos importante, realizar os desejos e os sonhos quando eles afloram. Deixar, sempre, para amanhã, justificar, sempre, que não está conseguindo realizar AGORA, pode-se perder a grande chance de realizar o que é possível ser realizado. Isso vale para todos os contextos, inclusive no campo sentimental.

Mamãe Coruja

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Manaus nas Olimpíadas/2016

Olás...


A Arena da Amazônia novamente será palco de grandes competições esportivas. Certamente o povo de Manaus receberá os atletas e visitantes com toda simpatia que lhe é peculiar, a exemplo do que ocorreu na Copa/2014, ocasião em que Manaus foi eleita como a cidade que melhor recebeu os turistas. 

O Brasil tem passado por problemas de todos os tipos nesses dois últimos anos. Da corrupção (quase) generalizada no governo, na política,  na Petrobrás, e,  recentemente também denunciado o esquema de fraudes no comércio de próteses na rede hospitalar. Sem contar a crise hídrica que atinge o Sudeste (mas isso é culpa da  "instância superior", do "andar de cima", enfim, de São Pedro, como justificam). 

Afora isso, ainda enfrentamos o crescimento da violência, principalmente nos grandes centros, amenizada - ou camuflada - no período da Copa/2014.

Ainda bem que este "brasil" dentro do Brasil ainda conserva o jeito caboclo de viver. E não estou afirmando, com isso, que por estas bandas não existam essas ervas daninhas. Existem, sim.  O Amazonas, talvez pela questão geográfica que ocupa, dificulta a entrada de megas problemas. A roupa suja que por aqui se vê, vai sendo "lavada" pelas águas do Rio Negro. 

Uma coisa é certa: falta d´água por aqui os atletas e visitantes não irão enfrentar!

"Manaus será um das sedes do torneio de futebol da Olimpíada de 2016, segundo o governador do Amazonas, José Melo. O político afirmou nesta quarta-feira que a cidade foi confirmada como um dos locais de competição dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A notícia, disse ele, foi dada ao governo pelo próprio COI (Comitê Olímpico Internacional).

"Eu recebi um telefonema do COI. A Fifa escolheu Manaus e outras sedes [do torneio de futebol da Olimpíada] foi pelos resultados que a Copa deu", afirmou o governador. "Manaus teve resultados de segurança pública que foi aplaudido por todos, o povo do Amazonas foi considerado um dos mais hospitaleiros da Copa e do ponto de vista financeiro foi um dos estados que mais deu resultado. Esses condicionantes todos aí foram fundamentais para que Manaus pudesse ser escolhida uma das subsedes das Olimpíadas voltada para o quesito futebol."

Além de Manaus e do próprio Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Brasília também devem receber jogos de futebol da Olimpíada. O anúncio oficial das sedes do torneio de futebol será feito pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016 nesta quinta-feira. O órgão não se pronunciou sobre as declarações do governador Melo.

Para receber jogos de futebol da Olimpíada, Manaus realizou uma verdadeira campanha. Autoridades da cidade receberam membros do COI e do Comitê Rio-2016 e apresentaram a eles a Arena Amazônia, estádio construído para a Copa do Mundo de 2014. Políticos também visitaram o Comitê Rio-2016 para ratificar o interesse da capital do Amazonas em ser subsede olímpica.

Fortaleza e Porto Alegre também chegaram a demonstrar interesse em receber jogos de futebol da Olimpíada. Até o momento, não há qualquer indicativo que elas sejam sede do torneio olímpico do esporte."

Arena da Amazônia - COPA/2014
(Fotos:Chama a Mamãe)


Mamãe Coruja

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Meus amigos, também.

Olás...


Esses dias me dei conta de que já vivi rodeada de animais, desde a infância. Eram tantos, de muitas espécimes. Do cachorro vira-lata às galinhas, galos, patos e porcos. No interior, onde vivi até quase a adolescência era assim, em toda casa convivíamos com esses animais, no mínimo.

Quando vim para a capital, o apego aos bichinhos só aumentou. Coincidiu de conviver com uma pessoa que também era maluco por eles. Em nossa casa moravam: cachorros (muitos), papagaios, arara, cabra (e depois nasceu cabritinho), macaco, passarinhos, peru, galinha (cega de um olho e andava de patins), bicho-preguiça e coelhos.

Mais tarde, quando tínhamos o sítio, a "família" aumentou para mais galinhas, galos, porcos e a égua de nome Linda, que, ao fugir para o sítio vizinho, voltou "grávida" da Lindinha (foto abaixo).

Uma das coisas que lamento por não morar em interior é não poder mais conviver com tantos animais de estimação. Infelizmente, ao fazer uma analogia entre animais racionais e irracionais, cada dia percebo que a convivência com esses últimos é bem mais tranquila e harmoniosa. 


Lindinha, à esquerda, fruto de uma fugidinha ao sítio do vizinho.
À frente da Lindinha, o "ex", que autorizou a publicação da foto

Agora, só nos fazem companhia a Lolita (conosco há 5 anos), e a Nicole Kidman (há um ano)


Mamãe Coruja

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Eu vivi tudo isso. E você?

Olás...

Está aí um vídeo que retrata uma fase "excelentemente excelente" da minha vida. É o que se pode chamar de: "é a minha cara".

Afinal, também é a sua?

Obrigada, "compadre", pela eterna lembrança.

No mais, dispensam-se comentários.




Mamãe Coruja

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Licença Maternidade também para o pai.

Olás...


Em Santa Catarina (PR), um pai ganhou o direito de se afastar do trabalho, por 120 dias, para cuidar da filha, após a morte da mulher no parto.

Marcos Antônio Denke foi à Justiça para ter a garantia do recebimento do Auxílio Maternidade e, ainda, ser beneficiado com a Licença Maternidade de 120 dias, e conquistou essa vitória. Ele ficou viúvo assim que a filha dele nasceu. Adriana Matias, sua esposa, teve complicações  durante o parto e morreu.

A vitória é considerada histórica, não apenas por ser um homem a se beneficiar com o Auxílio Maternidade, mas pelo fato de que a mulher já não contribuía para a Previdência Social, desde 2011. De acordo com o advogado que entrou com a ação, o benefício é voltado para o recém-nascido e não para os pais. A Licença Maternidade é um bem para a criança. E foi com base nisso que ele teve vitória na Justiça.

Essa conquista tem singular importância, porque, de fato, o beneficiado não é a mãe ou o pai, e sim a criança, e não só para o recebimento do carinho materno. A princípio,  o benefício de 120 dias, que é maternidade (e não paternidade), não é um benefício para a mãe, apesar da maioria entender que é direcionado à  mãe, porque ela vai ficar em casa, não vai trabalhar fora e vai poder cuida do seu filho.

Não. Quando a Licença Maternidade é  pensada, ela é pensada para a criança, é ela que tem direito de receber 24 h/dia, nos seis primeiros meses de vida, a atenção de alguém, pra isso a mãe fica em casa para cuidar. Mas é a criança o centro do direito. Então, quando a mãe morre, nesse caso e em outras situações (por exemplo às vezes não tem pai, e a mãe morre), quem vai fazer jus à Licença Maternidade tem direito aos 120 dias, mesmo não sendo o pai.  

O que a lei garante é que essa criança seja acompanhada, porque trabalhos científicos comprovam que o recém-nascido precisa de atenção 24h/dia, que alguém  cuide dela 100% (geralmente, é a mãe ou é o pai). A lei garante isso.

No caso do Auxílio Maternidade é a criança a ter esse direito. Não é porque a mãe interrompeu o pagamento da contribuição à Previdência Social que a criança não terá o direito reconhecido. O direito dela é ser bem tratada. No caso do Marcos Antônio, que  é o pai, ele também tem direito ao auxílio financeiro para cuidar desse recém-nascido

Às vezes nos esquecemos desses casos trágicos. Uma bonita história se não fosse trágica. A dor desse processo  de perda é muito grande, então é preciso  garantir ao  pai  o mínimo de conforto nesse momento, que é poder cuidar de seu filho.

Nas corporações, nos escritórios e no dia a dia associamos sempre esse direito à mulher. Por isso, a gente acha que é um direito da mãe. Desconhecemos  os nossos direitos, talvez por que tenha sido dessa forma que colocaram na cabeça da gente, de que é a mulher quem cuida do filho, aquela  que  amamenta.

A Licença Paternidade é um direito menor e bem mais recente. Porém, o pai também deveria ter esse direito mais estendido. Direitos  iguais, de acompanhar e fazer parte desses primeiros meses de vida da criança. São cenários que estão mudando e a gente se surpreende, mas na esperança que em breve não nos surpreendamos mais.

Enfim, um bonito exemplo.
 
Mamãe Coruja

sábado, 31 de janeiro de 2015

As (nossas) canções.

Olás...


Estou refletindo, divagando...

O que será de mim quando as canções se forem?
Ouvirei a canção do teu coração?

Estou refletindo, imaginando...

Quando fores,  sem voltas,
Quais as canções que não mais ouvirei?
Aquelas que muito dançamos?
"Insensatez".

Sei que não dissemos adeus,
Mas o destino se cumpriu.
Não posso – e não quero -  desfazer,
O que era para ser, seguiu.

Posso amar outro alguém,
Mas tu serás único.
Insubstituível. Indelével.
Com todos os teus defeitos.
Como impressão digital, 
Não poderei mudar.

Fico imaginando...

Perdi  o controle de tudo,
Até do teu olhar sobre mim.
Tudo o mais  se perdeu.
Estava escrito no livro em branco de nossas vidas.
E eu nada sabia. Não queria teus segredos.
Eras único.

Vês a triste ironia?

Hoje tenho todo o tempo para ti,
Pra poder te dizer: “Venha para mim”.
Aqui, em qualquer lugar sinto tua falta,
Mas amanhã será outro dia,
Em mais um lugar,  a noite.

Encontrei uma razão para lembrar  de ti.
Não ouvir as nossas canções.
Sei que nos reencontraremos
E escreverei uma canção para nós dois.

Enquanto isso,  ouço meu coração, que me diz
Quão adorável  és.
Que pena nos separarmos.
Não estávamos enganados: era difícil.
Mas desistimos.

Penso que seja melhor eu voltar...

Voltar ao começo de tudo
Reveses da vida.
Quem irá consertar meus cacos?
Temo que eu reveze contigo.
Por seres único.

Penso...

Se eu nunca tivesse tentado,
Jamais iria saber.
Que és único.
Sonhei e me dei conta que era sonho...
Quando acordei.

Em algum lugar
Sentes-me, de qualquer maneira.
Mas...por hoje, basta-me!

Não quero mais pensar.

Esperarei...


Eu, nalgum lugar


Mamãe Coruja