Olás...
Ontem, mais uma vez, comprovei que a sensibilidade das pessoas tem a ver com a essência que essas mesmas pessoas trazem como marca registrada, desde o nascimento.
Essas reações, para quem gosta de observar, demonstram como essas pessoas irão caminhar pela vida; como irão se relacionar com a família, com os amigos; e, quando adultos, como construirão suas famílias. Portanto, está em jogo como irão disseminar, em todos os contextos, essa fabulosa "impressão digital", porque a essência da pessoa também é única. Ainda que queiram imitá-la, o máximo que conseguirão é uma imitação grosseira, que logo levará ao cansaço e enfado.
Por exemplo, o profissional da fotografia. A quantos cenários belíssimos nos transportam as imagens extraídas das lentes, mas muito mais da sensibilidade desses profissionais? Diria que até é possível observar o lado humano por trás da carreira de um fotógrafo (ou mesmo de qualquer pessoa que dá um click, de maneira despretensiosa), como até o lado espiritual.
Essa fabulosa capacidade de externar um momento lançando um olhar diferente sobre alguma pessoa, objeto ou paisagem, classifico como "impressão digital", única, porque ainda que muitos fotografem a mesma cena, cada um a verá de um jeito diferente.
Ontem, tive mais certeza acerca disso. Quando já ias embora, e, pela décima vez, já nos despedíamos com abraços e beijos de "mãe" e "filho", teu olhar foi para aquele vaso de planta, no quintal. Tua reação foi: Vou fotografar aquela "estátua"!
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| Foto: Gustavo Luís S. Pinheiro |
Aquele "resto" de decoração foi colocado naquele vaso, há uns dois anos, porque estava danificado, e não quis jogar o que restara, no lixo. Afinal, "decorou" por muito tempo alguns ambientes da casa.
Deste-lhe um olhar diferente. A tua essência captou algo naquele objeto, que talvez tenha sido o mesmo que me fez recuar em jogá-lo no lixo. E não sou pessoa de acumular objetos. Eventualmente, pratico o Seiri (um dos "5S", da filosofia japonesa).
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| Foto: Gustavo Luís S. Pinheiro |
Não és o Sebastião Salgado - para mim um dos melhores e mais perfeitos, nem J.R. Duran, outro craque na fotografia, com estilos diferentes. Mas, como nestas fotos, também tens visto o mundo ao teu entorno de uma maneira diferente, em todos os sentidos, e isso tem feito de ti uma pessoa mais confiante, de que és capaz de se reinventar, com o mesmo bom humor que sempre está estampado nas tuas atitudes.
E assim é a vida. Eu nem mais olhava aquela estatueta quebrada. Era mais uma figura a compor aquele "adubo". E aí vens e a percebes diferente.
Assim é a vida. Pensamos que nos conhecemos. Que as pessoas nos conhecem pelo que externamos. Mas não! Cada um fará uma fotografia de nós. E também fazemos fotografias diárias dos outros. Ainda que tentemos fazer uma catarse, uma limpeza das traças nas gavetas, das impurezas, dos sentimentos que podem nos fazer algum mal, ainda assim... alguém nos olhará de modo diferente.
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| Foto: Gustavo Luís S. Pinheiro |
Então, valho-me da minha escritora preferida, Clarice Lispector - ucraniana que se naturalizou brasileira - para concluir:
"Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas
normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso
não-ser...
Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas
personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhece; e a subjetiva...
Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos - Quem
somos? Não saberemos dizer ao certo!!!
Agora de uma coisa eu tenho certeza:
sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e
não pelo que parecemos ser... Aqui reside o eterno conflito da aparência x
essência. E você... O que pensa disso? "
Mamãe Coruja