sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

À espera do amanhã

Olás...


Nossos dias são feitos de tudo.
De desejos, de inatuais esperanças.
De inspirações buscadas nas adversas fontes.
Do medo estampado em muitos semblantes,
Que encadeiam nossa coragem
E teimosamente seguimos.
Adiante!
Sim, nossos dias são como diamante,
Preciosos, delicados, cortantes.
Momentos da mais louca e falsa alegria,
Ou de tristezas, confundidas,
Com os raios de sol,
Quando se põem a brilhar.
De que são feitos, afinal, nossos dias?
De desenlaces, reconciliações e queixas.
Futilidades e inúteis agonias.
Nos quais as lágrimas inundaram
Os corações daqueles que amaram...
Em vão.
Ah! Mas o que importam esses dias,
Se o amanhã, mesmo que seja um mistério,
Ainda que muitos não queiram,
Será de tantos que esperam.
E, como diamante que brilha,
Alheio a qualquer vontade,
Ele virá, como uma música suave...
A nos embalar.




Nascimento de quelônios da Amazônia



Mamãe Coruja

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Quando me chamastes..

Olás...


Atenderei ao teu chamado
Para voar além-mar, céu azul, horizonte.
Para algum lugar.
Qualquer lugar, contigo, é o Paraíso.
Porém, siga em frente.
Seja o meu rumo, minha direção.
Deixe marcas desse voo,
Conduza o meu coração.
Acompanhar-te-ei em breve.
Agora,  aquieto-me, como a águia.
Revejo meus atos, mudança necessária.
Estou reclusa, refletindo sobre mim.
Espere-me nesse lugar tão sonhado por ti.
Nele me imagino te encontrar.
Por enquanto, estou frágil para voar,
Sem forças para agarrar meus desafios.
Hoje, o sofrimento fez-me curvar,
Tornando meu corpo pesado.
Como a tua gaivota, também alcei muitos voos.
Foram tantos, sem pedir socorros.
Mas, por enquanto, reclusa, deixe-me ficar.
Alcançar-te-ei brevemente,
Quando menos esperares, estarei à frente.
Preparando-te um lugar perfeito
Para nossos poemas, livres,
Sentirem a liberdade e poderem gritar.
Vou morrer um pouco, é preciso!
Porque viver não é tão preciso,
Como afirmam os mortais.
Siga... voe o quanto puderes.
Encontre-me no alto da montanha.
É lá que farei nosso ninho.
Quando lá eu chegar, e te encontrar,
Faremos nosso voo, firme e pleno.
Então saberei...
Que sou feliz!


Imagem: Internet

Em resposta ao belíssimo poema O Chamamento da Gaivota, 
do poeta português, Vitor Costeira
*https://plus.google.com/+BlogueImagimagem)




Mamãe Coruja

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Os pais influenciam a personalidade dos filhos?

Olás...


Nos últimos dias uma foto despertou em mim a ideia de escrever sobre assunto,  ainda tão instigante, sobre a construção da personalidade de cada indivíduo. Qual a influência da genética e do meio-ambiente na personalidade do indivíduo?Afinal, como “Mamãe Coruja”, qual a minha influência na personalidade dos meus filhos?

Li acerca de muitas teorias de filósofos, psicólogos, neurocientistas, geneticistas e até literatos. A ciência moderna tenta há séculos explicar sobre a intrincada malha que forma o nosso comportamento. É muito interessante  como eles sempre esbarraram em  dúvidas.

Mas compartilho com as premissas de alguns deles, como as de Sigmund Freud, ao afirmar que a influência dos pais na personalidade dos filhos é imprevisível. Sim, os pais são tidos como os agentes mais importantes na criação de uma pessoa. São os primeiros a conter o que há de animal em nós, nos ensinando a controlar desejos em nome de regras morais, castigos e convenções da civilização. Com essa premissa, Freud foi, ao lado de Darwin, um dos grandes pensadores do século XIX, a abalar a ideia de Deus, mostrando que as noções de pecado e culpa são transmitidas pelos pais e podem ser a causa de vários dos nossos problemas. Do conflito entre os nossos desejos e culpas, sairiam traços de personalidade (como a timidez, a vergonha), recalques inconscientes e fraquezas que nos acompanham vida afora. Freud vai mais longe: para ele, o jeito com que meninos e meninas lidam com a figura do pai e da mãe é essencial para definir a sexualidade da pessoa.

Até o ponto que a genética permite, um bebê recém-nascido é como um molde de argila flexível. Conforme interage com os adultos, a criança se molda ao mundo em que nasceu. O que ele aprender, ver, ouvir, sentir será armazenado no cérebro e irá compor a maneira como agirá no futuro. Ao nascer, vai demorar meses até conceber ideias básicas, como a de ser distinto das coisas ao redor. Aos poucos, porém, dar-se-á conta de que consegue mover algumas dessas coisas, seus braços e pernas, e que outros seres fazem o mesmo. Assim, a partir do outro, o bebê começa a ter a noção de eu, de que é um indivíduo. Daí a influência do meio em que vive ser um dos fatores que irá formar a sua personalidade, além dos traços genéticos, é claro.

Se os adultos ao redor forem lobos ou cavalos, passará a vida toda uivando ou relinchando e bebendo água com a língua (como aconteceu como o Selvagem de Aveyron, garoto encontrado na França em 1799, que viveu a infância isolado na floresta e, por volta dos 12 anos, trotava, farejando e se alimentado de raízes).

Entre lobos ou humanos, a criança aprende o que pode ou não fazer. Percebe que, ao chorar mais alto, a mamadeira vem mais depressa. Portanto, vale a pena ser manhosa, pelo menos de vez em quando. Quando joga um objeto no chão, é repreendida pela mãe e ganha uma bela bronca. Também começa a diferenciar sentimentos: o que achava ser dor, começa a receber nomes diferentes como: fome, ciúme, medo. As sinapses cerebrais são construídas a partir das relações externas. Sem interação com o outro, não há personalidade, afirma Benito Damasceno, neurologista e professor de neuropsicologia, da Unicamp.

Sem dúvida alguma, mais importantes dos nossos primeiros anos são os pais. Com eles, exercitamos uma das nossas grandes capacidades inatas: a de imitar. Os pais servem de referência para estabelecermos padrões de sentimentos e atitudes. O filho que imita o pai se barbeando, também conhece com ele jeitos de se relacionar com as mulheres, modos de regular o tom de voz e até preferências intelectuais.

Um estudo citado no livro Freaknomics, de Steven Levitt e Stephen Dubnere, realizado no ano de 1991 com 20 mil crianças americanas até a 5ª série, tentou relacionar o desempenho escolar das crianças com o perfil dos pais e a convivência de todos em casa. Descobriu que as boas notas não estão relacionadas àquilo que os pais fazem: se mandam os filhos lerem ou leem para eles antes de dormir, mas ao que eles são: se têm o hábito de ler para si próprios, se têm livros em casa e se são bem instruídos.

Nos primeiros anos, o filho se identifica com quem faz o papel de pais e passa muito tempo copiando suas ações, afirma Eloísa Lacerda, fonoaudióloga e psicanalista da PUC-SP especializada na 1ª infância. Talvez se explique assim o caso do filho que passa a infância apanhando e, quando adulto, vira um pai igualmente agressivo. A mesma teoria serviria também para explicar o contrário: o filho que, em alguns pontos, se torna o contrário dos pais. É que eles podem servir de referência de traços aos quais reagimos. Assim os psicólogos explicam a família do casal que passa as noites brigando e tem um filho do jeito oposto, tranquilo e pacificador.

 Vale a regra do: cada caso é um caso, que nem sempre é comprovada por estatísticas. Além disso, o convívio com os pais é só uma etapa do desenvolvimento. Em casa, a criança cria ferramentas que poderá desenvolver ou não quando passar por outro desafio: a busca para ganhar destaque entre seus iguais.

Mas se pensávamos que apenas os pais influenciam, as amizades influenciam muito mais do que imaginamos. Em 1998, a psicóloga americana Judith Rich Harris causou uma revolução nas teorias da personalidade ao afirmar que o convívio com os pais é só um dos fatores que influenciam a personalidade dos filhos, e um dos menos importantes. No livro Diga-me com Quem Anda..., ela fala que as relações horizontais, dos 6 aos 16 anos, da criança com seus pares, o  grupo de amigos da escola ou da vizinhança, são o grande definidor da personalidade adulta.

Com seu livro desmistificador, Judith Harris tranquiliza os pais quanto a seu real papel na formação dos filhos. Pois como milhares deles já podiam intuir por sua própria experiência, apesar de toda a pressão cultural na direção contrária, pais dedicados e atentos não garantem filhos felizes e seguros.


Disso tudo, concluo: Os pais devem fazer da melhor maneira a parte que lhes cabem em educar seus filhos, não deixando essa incumbência às escolas, alegando falta de tempo ou de paciência para lidarem com os filhos. Devem mostrar o certo e o errado, mas dando livre arbítrio para suas escolhas e consequências. Afinal, por mais que queiramos, os genes não restringem a liberdade humana. Eles a possibilitam. Por último, amor e atenção na dosagem certa. A overdose de amor sufoca. Atenção em demasia faz com que pais se esqueçam de que também precisam respirar e viver. 

Não sei até onde meus genes e o ambiente no qual criei meus filhos interferem em suas personalidades. Sei que fiz o melhor que eu tinha de mim. Penso que ainda faça desse jeito, mas que pode já não ser o jeito perfeito para eles, justamente porque fizeram suas escolhas.


A gente só deseja que sejam felizes,
mesmo que cada um tenha conceito diferenciado do que seja a Felicidade

(Foto: Gustavo Pinheiro)

As referências estão nas citações dos autores/Livros/Artigos.


Mamãe Coruja



terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Presa



 
Não sou livre!

Meu caminho em busca da liberdade é difícil,
Íngreme.
Atravesso o vale da sombra da morte,
Diariamente.
Presa às próprias correntes,
Sequer tento tirar as de tantos,
Mais escravos do que eu.

Não estou livre!

Meus atos desafiam meus pensamentos,
Constante embate.
Ainda rastejo submissa às regras da sociedade.
Às minhas próprias regras me sujeito,
Sobrepondo-se ao meu desejo de voar.
Ainda me sinto presa ao querer,
Não renuncio, para não me fazer sofrer.
Faço as minhas leis tentando ser livre,
Mas a liberdade tarda a irromper minh´alma,
Enquanto  deuses traçam  meu destino
Delimitam meu caminho
Com tabus e preconceitos arraigados,
Travestidos de cortesia e amabilidade
Quando...
Somente quero gritar!

Não. Não sou livre de todo.
Talvez nem livre de nada.

Sinto-me parte da Natureza,
Mas incapacitada para aplaudir a beleza,
Que ela me dá.
À sombra da comodidade dos arranha-céus,
Presa às amarras da hipocrisia, da burguesia,
Completa letargia.

Como estar livre, se...

Ainda tenho fome?
Fome de Justiça.
Fome de Amor.
Fome de Igualdade.
Fome de Honestidade.
Fome de Felicidade.

Não. Não sou livre!

Sinto-me presa, incapaz
.
 
Arara-vermelha (Ara chloropterus)

Mamãe Coruja

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

... Dois anos!

Olás...



Parabéns ao blog!
São dois anos.
Algum tempo de hibernação.
Outros, de devoção.
E lá se foi um tempo, que nem vislumbrava acontecer.
Algum dia,
 Este espaço servirá para eu ocupar algum tempo vazio.
Quando a idade avançar, sobremaneira,
Que meu corpo não desfaleça,
 Minha mente permaneça sã.
A escrita, seja eterna companheira.
Há dias que a preguiça acontece,
A criatividade adormece,
Nada quero escrever.
Em outros, 
Pareço um vulcão em chamas.
Um Tsunami!
Enchentes transbordando,
E vejo, 
Indubitavelmente,
Entre preguiça e vontade,
Que ainda há muito por fazer.


Bicho-Preguiça


Mamãe Coruja

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Milagre da Transformação

Olás...



Hoje,
Deveria ser como todos os dias,
Em que diferentes se abraçam,
Comovem-se, 
Com um simples apertar de mãos.
O hoje,
Veio para lembrar do pranto,
Por aqueles que se foram,
Deixando marcas nos corações.
Que belo se o hoje fizesse milagres,
Que a cor da pele não importasse,
E o pão à mesa fosse igualmente repartido.
Que não houvesse oprimido,
A Violência não vencesse o Perdão.
Os lobos existentes em nossas entranhas,
Libertarem-se, 
Dando vazão ao espírito de Paz.
Sejam constantes esses atos
Norte a Sul, no Infinito
E a certeza do Amanhã,
Esperança nos traz.
Hoje, rogo ao Criador Presente,
Que não haja miséria no mundo,
Que o Amor nunca se ausente,
E a Felicidade nem tão...fugaz.


Uma lição de Amor, incondicional.




Mamãe Coruja

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Poemas de Natal sem versos nexos

Olás....


Não tarda e virá o Natal,
Doce Esperança, único alívio,
Para almas lastimadas
De tantos dias sofridos.
Crianças de faces ocultas
Percebidas pela magia
Do Dia de Natal.
Vem,  doce Esperança,
Estender no leito o corpo lasso,
De quem espera, todos os dias
Um afago, um abraço,
Cujo Milagre acontece
Na Noite  de Natal.
Vem, Papai Noel!
Trazer amor como presente,
A quem já foi também criança
Que a  vida tornou em largos anos,
Ou pela saudade se tornou ausente.
Podes entrar,  com constante e prévio aviso,
Deixas na Árvore de Natal,
Para toda a família, se for preciso
Pacotes de Amor, Paz, Perdão
E e nos lábios muitos sorrisos.
Vem, Doce Esperança ...
De um tempo melhor!




Quando as imagens dispensam palavras

(Fonte: Internet)


Mamãe Coruja