E lá
estão, ricos e pobres, de novo, discutindo sobre (des)acordo climático global.
São tantas reuniões realizadas, que já
era tempo para terem resolvido todos os problemas do Planeta.
Desta
vez é a Conferência Climática das Nações Unidas, a COP 20, que acontece em
Lima, no Peru. Exatamente hoje, dia 05/12, a COP entra em seu quinto dia, sem
que a prévia do rascunho do tal novo acordo climático global tenha sido
apresentado aos países.
E
foi há exatos 62 anos, nesta data, entre 5 e 9/12/1952, que ocorreu O Nevoreiro de 1952, conhecido também como Big Smoke. Período de
severa poluição atmosférica, que encobriu a cidade de
Londres, o
fenômeno foi considerado como um dos piores impactos ambientais até então, sendo causado pelo crescimento incontrolado da queima
de combustíveis fósseis na indústria
e nos transportes.
Acredita-se que o nevoeiro tenha causado a morte de 12.000 londrinos, e
deixado outros 100.000 doentes.
E,
desde lá, podemos afirmar que avançamos? Sim. Podemos dizer que esforços conjuntos
têm sido envidados para que essas tragédias não se repitam. Mas não têm sido suficientes.
Há
pouco tempo, conforme matéria "A propósito de «A vida na Terra por um Fio», um ponto de vista da Amazónia - Chama a Mamãe " representantes dos governos também
estavam reunidos para discutir sobre o clima no mundo.
Agora,
no Peru, os mesmos discursos – que não correspondem à prática – estão sendo
repetidos. Senão, vejamos o que disse o
negociador-chefe do Brasil, o embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho, ao
se referir às discussões dentro da Plataforma de Durban, instrumento
diplomático criado dentro da convenção da ONU que permite criar um tratado
para o clima. Segundo ele, ocorrem “de
forma efetiva e se encaminham para alcançarem um resultado”. “O que estamos
fazendo é uma varredura total de todos os temas para vermos o que dará para
fazer. Hoje [quinta] não temos um texto ainda. Mas esse é o objetivo da
conferência, terminar com um texto”.
Juro que já li e ouvi esse discurso,
antes!
Os debates em Lima são considerados importantes por diplomatas e cientistas
por ser a última chance de costurar um plano que obrigará os países a cortar
emissões de gases-estufa antes de sua aprovação, em 2015. Sua entrada em vigor
está prevista para 2020.
A presença massiva desses gases na atmosfera acelera o aumento da
temperatura do planeta e causa as mudanças climáticas, como uma maior
quantidade de chuvas, enchentes, seca, além do degelo das calotas polares,
sobretudo no Ártico. Cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do
Clima, o IPCC, atestam que essas alterações já ocorrem e se agravam.
Pronto. Até parece que descobriram a pólvora! São assuntos – e com respostas
recorrentes da Natureza – que conhecemos – no mundo – tão bem.
As grandes potências, boa parte obrigada a reduzir as emissões desde que o
Protocolo de Kyoto – único tratado resultante desta convenção – foi criado, em
1997, alegam que importantes nações em desenvolvimento (Brasil, China, Índia e
África do Sul) têm que seguir regras rígidas para diminuir o envio de gases à
atmosfera.
O famoso “empurra, empurra”, e egos em questão.
O embate se dá porque o bloco “mais pobre”, em
tese, não quer frear seu desenvolvimento e cortar bruscamente as emissões, o
que é exigido pelo bloco “mais rico”.
Uma proposta do governo brasileiro que esfria os ânimos nessa discussão,
tornando-a mais dinâmica e mantendo a responsabilidade histórica das emissões,
foi aceita pelos diplomatas e deve ser inserida no rascunho do novo acordo.
Mas
até onde podemos acreditar que essa proposta será colocada em prática, se até
mesmo quem faz a proposta não enxerga para o seu umbigo?
“Há muito interesse dos países e o fato do
próprio presidente da COP [o ministro do Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar
Vidal] ter requisitado uma apresentação nossa é uma demonstração de que as
coisas estão tomando corpo. É uma forma de melhorar o regime de implementação”,
explica o embaixador.
Mas tomando corpo é o que mesmo?
“Ela
[a proposta] pode acalmar os ânimos, porque muitos países desenvolvidos se dão
conta que [o mecanismo] tende a ser justamente o fio condutor dessa nova
posição da negociação, com aumento de ambição e superando a questão de
autodiferenciação, que milita contra o objetivo do acordo”, complementa...
mas não disse nada com nada!
Outro tema em discussão na COP 20 é sobre o que
os países inseridos no Protocolo de Kyoto vão fazer para reduzir suas emissões
até 2020, durante o segundo período de vigência deste tratado obrigatório.
Chamado de segundo trilho das negociações, ele ainda não teve grandes avanços
durante a cúpula peruana.
Novidade? Nenhuma.
Nos próximos dias, as discussões vão aumentar de ritmo com a chegada dos
ministros para o Segmento de Alto Nível, que terá início na próxima terça-feira
(9). O acordo final precisa ser aprovado e assinado na Conferência do Clima de
Paris, a COP 21, no ano que vem.
Uau! Eu também quero discutir esse assunto em Paris, bancada com o dinheiro
dos contribuintes, falar bla bla bla... e depois explicar que estamos avançando
nesse aspecto.
Vele a pena a transcrição:
“Em dezembro de 1952, uma frente fria
chegou a Londres
e fez com que as pessoas queimassem mais carvão que o
usual no inverno.
O aumento na poluição do ar foi agravado por uma inversão térmica, causada pela densa massa de ar frio. O
acúmulo de poluentes foi crescente, especialmente de fumaça e
partículas do carvão
que era queimado.
Devido aos problemas econômicos
no pós-guerra, o carvão de melhor qualidade para o aquecimento havia sido exportado.
Como resultado, os londrinos usaram o carvão de baixa qualidade, rico em enxofre, o que
agravou muito o problema.
O nevoeiro resultante, uma
mistura de névoa natural com muita fumaça negra, tornou-se muito denso,
chegando a impossibilitar o trânsito de automóveis
nas ruas. Muitas sessões de filmes e concertos
foram canceladas, uma vez que a plateia não podia ver o palco ou a tela, pois a
fumaça invadiu facilmente os ambientes fechados."
Fontes, com adaptações:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Nevoeiro_de_1952
Mamãe Coruja
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